Como os avós podem ajudar no desenvolvimento da fala de seus netos.

Olá Mamães Toda Hora!

Nossas férias acabaram e com elas o convívio DIÁRIO com a liberdade, o andar descalço, o contato com a areia, o mar e especialmente com os avós.

É muito lindo ver o amor que os avós têm pelos seus netos, parece maior que o mundo. Eles procuram fazer de tudo e mais um pouco para a satisfação dos pequenos.

Dizem que avós são os pais com açúcar, pois é verdade! Percebo isso constantemente em nossa família.

Meus pais em especial, procuram sempre seguir o que eu e meu marido decidimos. Raramente interferem em algo. Procuram, ao máximo, falar corretamente, dar limites, respeitar as regras e horários.

Nestes dez dias de convívio, meu pequeno, que completa daqui uns dias, um ano e quatro meses, evoluiu significativamente seu vocabulário. Falando assim, parece que ele fala tudo, mas não!!!!!  Às vezes fico ansiosa com a fala, mas sei que cada um tem seu tempo.

Porém, nestas férias, em contato com mais pessoas dentro de casa, que falavam o tempo todo e interagiam o tempo todo, percebi que o Léo deu um salto e começou a pronunciar algumas palavras.

Meus pais, falavam com ele o tempo todo, pronunciavam os sons das coisas, mostravam, insistiam (em alguns momentos fiquei até com inveja da disponibilidade deles, pois me pego, muitas vezes, sem ter o que falar para o meu pequeno) e não precisava muito e o Léo já repetia e mostrava que havia entendido o que ele estavam mostrando.

Claro que em alguns momentos saiam algumas palavras no diminutivo ou erradas propositalmente, mas na maioria das vezes procuramos sempre falar de maneira correta.

Por outro lado, já percebi várias amigas minhas se queixando da fala “incorreta” dos avós perante os bebês (às vezes isso acontece lá em casa e não só com os avós, me pego também fazendo isso!!!!).

Portanto mamães, segue um texto da nossa parceira, mamãe e fonoaudióloga Érica Cimadon sobre estas questões.

Boa leitura!

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Boa leitura vovós e vovôs!

Durante esses meus oito anos de profissão, já orientei muitas e muitas famílias em relação a como estimular a fala das crianças e a como lidar com as crianças diante de um quadro de distúrbio de linguagem.

Na maioria das vezes os pais seguem a risca as orientações dadas e me falam: “- O que adianta a gente fazer tudo certinho em casa se os avós insistem em falar como bebê com as crianças?”.

Então, hoje resolvi escrever para os vovôs e vovós, que tem um papel muito importante na vida dos nossos filhos. Tão importantes, que são fundamentais no desenvolvimento de seus netos. Essa semana mesmo presenciei um episódio com meu filho de 1 ano e meio que está naquela época boa de explosão lexical – repete tudo.

Ele estava brincando com a sua vovó, e ela estava lhe mostrando as cores em uma bola de futebol colorida. Tinha o azul, o verde, o vermelho e o AMALELO!! Sim….o amalelo!! Claro que a mamãe fono aqui teve que intervir e dizer:- Não é amalelo vovó, é amarelo!! E a vovó me responde: – Mas eu adoro quando eles falam errado… é tão bonitinho!!!

A relação de afeto, carinho e cumplicidade entre avós e netos marca a vida da criança com lembranças positivas. Os avôs são aqueles que contam histórias da família e são, sem dúvida, referências importantes na vida da criança. Sabe-se que é através da fala que o bebê se relacionar com o mundo e aprende tudo sobre o que o cerca. O aprendizado da linguagem falada é um passo prévio e indispensável para a aquisição da leitura e escrita.

As primeiras palavras são as mais belas e as mais esperadas pela família. Pode parecer natural, mas aprender a falar é uma tarefa complexa. A criança se prepara para falar desde o nascimento, através do choro, da amamentação e da interação com as pessoas que a cerca.

Os bebês aprendem a falar por meio dos estímulos que recebe das pessoas que os cercam, ou seja, a criança só aprende a falar ouvindo alguém que fale com ela. Por este motivo é de suma importância darmos padrões corretos de fala as crianças, mesmo que sejam bebês. Via de regra, as crianças, ao começarem a falar, falam errado e esta fala, atrelada a felicidade da família em ouvir seu bebê falando é engraçada e bonita e a tendência é imitar esta maneira de falar. No entanto, mesmo diante de palavras “engraçadinhas” o padrão correto de fala correto sempre deve ser adotado pelos adultos que convivem com esta criança.

Da mesma forma que ninguém dá um alimento estragado a um bebê, não devemos também dar um exemplo de fala errado, visto que a criança imita o adulto.

Portanto vovôs e vovós, dar muito carinho, muitos mimos, contar muita história e cantar para seus netos pode sempre, mas falar de forma errada (por exemplo, papato ao invés de sapato; tome, ao invés de comer), por mais engraçadinho que seja não é um bom modelo de fala para seu netinho.

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Erica

Érica Cimadon é fonoaudióloga, especialista em neuropsicologia pela UFRGS, com aperfeiçoamentos em processamento auditivo. Atua com atendimentos a crianças nas áreas de linguagem e aprendizagem há 7 anos na Clínica Jeito de Ser e mamãe do Mateus, de 1 ano. “Ter um filho é muito mais que uma especialização… nos permite nos colocar no lugar das famílias que buscam ajuda para seus pequenos, tendo um olhar profissional, mas acima de tudo, mais  humano…”

 

Comentários (2)

  1. Sheila Galves

    Otimo texto…me preocupo por aqui também, pois os vovos são de descendencia italiana…e na nossa região, o problema esta na pronuncia dos “Rs”…mas isso sera algo de mais alguns anos…enquanto isso, vamos tentar nos esforçar com a fala infantilizada mesmo!!

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    1. Karine Callegari

      Oi minha amiga e parceira!
      Essa é mais uma questão que podemos abordar!
      Mas todo esforço que pudermos fazer agora já será de grande valia para o futuro dos nossos pitocos.
      Mil beijo e obrigada pela contribuição

      Reply

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