A influência da “dor de ouvido” na aquisição da linguagem.

Olá mamães toda hora, todas bem? E seus pequenos e pequenas?

A partir desta semana, começarei a escrever no blog duas vezes, tentando respeitar as terças e sextas-feiras.

O assunto de hoje, é muito conhecido por muitas mães. Pelo que percebo no grupo do facebook “Mamães de BG”, muitos dos nossos filhos já tiveram uma ou mais otites até hoje.

Algumas descrevem a saga de médico, antibióticos, dores, noites mal dormidas, drenos… e assim por diante.

Desta forma, nossa parceira, mãe do grupo e fonoaudióloga Érica Cimadon, escreveu sobre a influência da “dor de ouvido” na aquisição da linguagem.

Boa Leitura!

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Olá mamães! Hoje vou falar sobre a famosa, temida e tão comum dor de ouvido!

Quem nunca foi acometida por pelo menos uma otite nesse nosso inverno frio e úmido?

A otite é muito comum, porém, é recorrente e interfere muito no desenvolvimento da fala e da linguagem dos nossos pequenos. A audição é sem dúvida o sentido mais importante para a aquisição da linguagem. É através do feedback estabelecido entre a fala e a audição que o sujeito adquire suas referências auditivas que irão  ajudar na constituição de conceitos básicos para a construção da linguagem e para a aprendizagem.

As alterações auditivas, mesmo que mínimas, como otites, tampão de cera e presenças de corpo estranho no ouvido, muitas vezes, são insidiosas e silenciosas. Visto que as crianças acometidas não possuem um parâmetro que as façam perceber as alterações na qualidade sonora, tornando-as incapazes de relatar suas dificuldades naquele momento. Por isso, os sinais e sintomas das alterações auditivas, muitas vezes, são interpretados pela família e/ou educadores como características da personalidade da criança e não vistos como um alerta de que alguma alteração pode estar presente.

A “dor de ouvido”, chamada de otite, caracteriza-se pela inflamação da orelha média causada por infecções virais ou bacterianas, disfunção tubária, alergias e depressão do estado imunológico. A otite, quando não tratada, evolui para processos patológicos mais graves e complexos. Seus sintomas podem ser específicos, como dor de ouvido, irritação na orelha, coceira, diminuição da capacidade auditiva, distúrbios do equilíbrio, febre, distúrbios do comportamento, sono inquieto, irritabilidade e desconforto. A criança torna-se apática, apresenta sinais de cansaço, falta de atenção e desinteresse nas atividades.

Pelo menos uma vez, de 71% a 100% das crianças até os 3 anos de idade são acometidas por um quadro de otite. Entre elas, cerca de 17% a 30 % sofrem recorrência do quadro.

Uma criança é portadora de otite recorrente quando ela apresentar três ou mais episódios de otite média em um período de seis meses, ou mais que quatro episódios em um ano.  A perda auditiva decorrente da otite média pode variar de grau leve a moderado e pode ser temporária ou permanente, de acordo com a evolução e o grau de comprometimento do quadro.

Muitas alterações de fala e linguagem são decorrentes de otites de repetição. Entre elas estão as famosas trocas de letras na fala (desvio fonológico) e, consequentemente, as trocas de letras na escrita (disortografia), além de dificuldades para processar informações auditivas. Isso ocorre devido a diminuição da capacidade auditiva que limita as oportunidades de “ouvir por acaso” informações de várias fontes de entrada, o que gera consequências negativas para a formações de regras de linguagem..

Fique alerta com o comportamento de seus filhos e, diante de qualquer suspeita, procurem um médico e uma avaliação auditiva. Além disso, avaliar a audição das crianças regularmente é uma ação preventiva, que pode detectar possíveis alterações e, com isso, evitar futuros danos de linguagem e aprendizagem.

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Erica

Érica Cimadon é fonoaudióloga, especialista em neuropsicologia pela UFRGS, com aperfeiçoamentos em processamento auditivo. Atua com atendimentos a crianças nas áreas de linguagem e aprendizagem há 7 anos na Clínica Jeito de Ser e é mamãe do Mateus, de 1 ano. “Ter um filho é muito mais que uma especialização… nos permite nos colocar no lugar das famílias que buscam ajuda para seus pequenos, tendo um olhar profissional, mas acima de tudo, mais  humano…”

 

Comentários (4)

  1. Graziele Picolli

    Muito boa leitura!
    Minha pequena é portadora de otite recorrente e faz uso de drenos nos ouvidos. Desde lá não teve mais otites, apenas vazamento de secreção, o que é esperado para o quadro.
    Sofremos muito, mas resolvemos a questão (pelo menos está resolvida até os drenos caírem).
    Me preocupou esta questão da linguagem. Ela fala poucas palavras, mas não me parece ter perda significativa na audição, pois responde do seu jeito a todos nossos pedidos. Mas vou ficar atenta à medida que ela evolui na fala!

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    1. Karine Callegari

      Oi Grazi, que bom que gostaste.
      O Léo também não fala muitas palavras ainda e teve apenas uma otite.
      e não é por falta de estímulo não…. ele entende tudo também.
      Muito obrigada pela contribuição.
      Beijos

      Reply
    2. Érica

      Olá Graziele! que bom que gostaste da leitura! Então… Na maioria dos casos a criança acometida por otites de repetição e tratada, como o caso da sua filha, não fica com perda auditiva permanente. O que acontece é que, durante os episódios de otite, a criança tem sua capacidade auditiva reduzida. E sabemos que a cada dia sem ouvir bem os bebês e as crianças perdem muito estimulo, ouvem sons distorcidos e a memória fonológica – que é a memória dos sons- que esta se formando pode ficar comprometida, daí vem as trocas de letras na fala, o “demorar para falar”… Todas as crianças acometidas por otites de repetição devem ter sua audição avaliada e monitorada. Espero ter esclarecido a sua dúvida! beijos!

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  2. Graziele Picolli

    Obrigada pelo retorno, Érica!
    Sempre fui muito atenta aos sinais das otites e sempre consegui identificar no início. Minha irmã teve perda em função das otites repetitivas. Mas acho que não será o caso da Belle, vamos tentar ficar sempre atentos.
    Bom feriado, meninas!

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