Ressignificando a maternidade!

Olá mamães toda hora, tudo bem?

Bom, hoje pensei em escrever sobre como ressignificar o momento da maternidade.

Para tal, preciso descrever a vocês desde meu desejo em ter filhos até hoje. O que penso, o que vejo, o que sinto como mãe, psicóloga, professora e filha!

Prometo ser breve, mas preciso contextualizar para que vocês possam compartilhar comigo suas experiências.Desde pequena meu maior sonho era ser mãe. Imaginava sempre ser mãe de um casal. Este desejo me acompanhou sempre, em todos os momentos. Idealizei esse papel de ser mãe durante toda minha vida.

No instante que decidimos engravidar (eu e meu marido) já encontramos a primeira barreira. Demorei um ano e meio para conseguir. Quando decidimos fazer um acompanhamento numa clinica de fertilização, e que foi constatado que EU tinha problemas, o desespero, a raiva, o sentimento de inutilidade, tomaram conta de mim.

Mas, quando tomamos a decisão de fazer qualquer coisa para que nosso sonho fosse realizado, Deus nos concebeu a Graça de engravidarmos e, como num passe de mágica, nosso sonho estava se concretizando sem precisar de tratamento!

Chorei emocionada por dias, não me contive de alegria e assim que recebi meu exame contei para meus familiares, amigos, sem medo de nada. Já me sentia mãe, já era mãe! Saber que havia um ser dentro de mim, que havia um outro coração batendo dentro de mim fez com que eu me sentisse o ser mais iluminado do mundo.

Desde o primeiro momento tudo mudou. Meus hábitos, cuidados, prioridades e a preocupação. Sim, quando se é mãe (desde a concepção até o nascimento e assim por toda vida) a preocupação é uma constante. Sossego já era!

Bom, idealizei durante toda a gestação uma mãe, um marido, um pai, um filho, uma família, avós… Mas percebi e percebo que o ideal não existe! E aí começo a me questionar entre o ideal e o real. O que é ideal? O que é certo? O que posso fazer?

Pois bem, muitas de vocês, assim como eu se assustaram ou se assustam com os afazeres, com as mudanças hormonais, com as mudanças físicas, com as milhares de coisas que passam pela nossa cabeça, com a auto-estima, com a administração do tempo, com as prioridades, com o cansaço, com o sono…

Por isso, acredito ser importante ressignificarmos esse momento! O que idealizamos, o que de fato vivenciamos. Precisamos entender e aprender com momentos ruins que antecederam o desejo de ser mãe, a gestação e o parto…

Assim que conseguirmos ressignificar a maternidade, conseguiremos potencializar nossa relação com nossos pimpolhos, com nossa família. Por isso, listo abaixo algumas ressignificações que fiz e continuo fazendo para conseguir me sentir uma mãe, mulher e profissional que está sempre em evolução.

  1. Não consigo ser a mãe que eu sempre sonhei. Perco a paciência, muitas vezes não sei o que fazer com o Léo quando estamos só eu e ele, sinto raiva, sinto desconforto, perco a paciência, grito. Consigo entender hoje, que isso faz parte do papel de ser mãe. Ser mãe não necessita estar disponível o tempo inteiro, estar alegre o tempo inteiro, estar bonita o tempo inteiro, ser desejável o tempo inteiro, saber de tudo o tempo inteiro, acertar o tempo inteiro… Somos pessoas, que mesmo sendo mães super poderosas, temos nossos momentos de fraquezas e desmoronamentos. Momentos esses, essenciais para nossa evolução.
  2. Não consigo ser a mulher que idealizei junto com a maternidade: Sou chata, impaciente, nem sempre consigo cuidar de mim, nem sempre consigo me sentir atraente, nem sempre consigo estar para meu marido. Percebo que a relação fica mais fragilizada, que os momentos nossos são bem menores que antes. Mas percebo, que é isso que faz com que nossa família se fortaleça, cresça! Aprendo cada vez mais a respeitar o espaço do outro, a saber me suportar sozinha, a entender  que somos mais fortes e felizes juntos.
  3. Quero ser 1/3 do que minha mãe foi para mim! Como filha, sempre idealizei ser uma mãe como minha mãe foi para mim. A minha sempre foi parceira, carinhosa, batalhadora, guerreira, profissional, excelente esposa. Sempre quis ser como ela. Hoje percebo que isso foi importante para mim, para aquele tempo. Aprendi que ela é ela e eu sou eu, que tenho ela como modelo, porém não posso ser ela e não consigo ser ela por ser uma pessoa totalmente diferente, com desejos, medos, expectativas, experiências de vida que são só minhas e de mais ninguém. Agradeço tudo que ela me ensinou e continua me ensinando, pela parceria que temos, pelo suporte que me dá e pelo amor incondicional que só uma mãe sabe o real significado.
  4. Meu pai, meu primeiro modelo de homem! Um excelente esposo, um “João faz Tudo”, companheiro, atencioso, prestativo, meu porto seguro. Meu pai é meu maior exemplo de honestidade, de trabalho, de amor, de presença. Ele é o meu herói! Acredito que sempre esperei que meu marido fosse como meu pai. Com a chegada do Léo, percebi que meu marido é ele, na sua singularidade, com sua história de vida, com seus valores, com suas potencialidades, com suas fragilidades. Ele é um pai exemplar para o Léo. Fico admirada com a capacidade de envolvimento, criatividade e paixão que ele tem quando está com nosso pequeno. Ele é intenso. Percebi que o tempo dele é diferente do meu! Que o papel que ele quer exercer, não é bem o papel que eu idealizei… Amo ter construído uma família com ele e aprendo diariamente que ele não é o meu pai, que ele é o meu marido.
  5. Idealizei que minha vida profissional continuaria a mesma e que a chegada de um filho não mudaria meu comprometimento e envolvimento com o trabalho. Muda e mudou muito. Hoje estabeleço uma relação de prioridade com meu filho e entendi que o tempo que dedico a ele é muito mais importante que qualquer outra coisa. Quero curtir e me permitir viver intensamente cada momento da vida dele. Não sei o dia de amanhã, se estarei aqui ou não. Só sei que ele vai crescer e não vai precisar tanto de mim como precisa hoje. Me dei conta que a qualidade da relação que estabeleço com ele depende sim da quantidade de tempo que tenho e de estar descansada para curtir ele.

Sei que teria muito mais para dividir com vocês, mas percebo também a carência que enfrentamos em nossa sociedade de termos um espaço para que as mães, de primeira viagem ou não, possam dividir suas experiências, suas angústias suas alegrias para aprenderem a ressignificar suas vidas umas com as outras.

O que vocês acham?

Um beijo enorme e espero a opinião de vocês!

Comentários (14)

  1. Candida

    Parabens! Bem isso, sofremos sempre por querermos a perfeição!! Bjs

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    1. Karine Callegari

      Obrigada minha amiga!
      É bem isso… buscamos um ideal que não existe!
      Bjs

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  2. Daniela

    Como é bom ler seus textos karine, pois retratam a nossa realidade nua e crua. Eu criei uma mega expectativa qdo meu filho nasceu, mas qdo ele chegou foi um baque, pq nada daquilo que eu estava vivendo tinha passado pela minha cabeça, e foi um tanto frustrante sim, e daí a culpa por sentir essa frustração, etc, etc, etc. Qdo ele foi pra escolinha em uma reunião com uma psicóloga, ela explicou bem essa situação, que nasce um bebe real e morre o bebe imaginário… e o mesmo vale para nossa nova realidade, é preciso nascer uma nova mulher, a mãe real! e sabe que comecei a ler e estudar e entender esse processo todo, que foi mega útil para a segunda gestação, que acredite, foi ZERO de expectativa, e consequentemente foi calma, tranquila e eu e minha pequena fomos vivendo um dia após o outro, nos conhecendo, fui aos poucos vendo como ela funcionava (diferente do irmão), e acho que sim, me tornei uma mãe mais calma e compreensiva, com os dois… Tudo muda depois que nos tornamos mãe,algumas coisas voltam pro seu lugar sim, com o tempo… outras eu não tenho certeza ainda kkkk.

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    1. Karine Callegari

      Olá Dani!
      Obrigada por dividir conosco sua experiência…
      Como é bom ler a opinião de vocês.
      Fico muito feliz em saber que vocês está gostando do que estou escrevendo, e peço, por gentileza, que me sugira assuntos que vocês (mãe de dois) percebe e que podemos estar repassando informações e discutindo com as demais mamães toda hora!
      Um beijo grande e mais uma vez obrigada!

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  3. cristiane

    É A PURA VERDADE.. EXISTE UMA DISTANCIA ENTRE O QUE IDEALIZAMOS E O QUE VIVENCIAMOS NA PRÁTICA. EU ME REALIZEI COM A MATERNIDADE, MAS A MATERNAGEM É QUASE MATAR UM LEÃO POR DIA! NEM A ROTINA QUE TENTAMOS ESTABELECER COM O BEBÊ AS VEZES FUNCIONA ZERO BALA.TODO DIA É UMA PROVA DE FOGO PARA TENTARMOS MELHORAR COMO PESSOAS, COMO MÃES.. AS VEZES EU ME SINTO UMA MÃE DE M*** POR SE SENTIR TÃO CANSADA PARA BRINCAR COM MINHA FILHA, TAMBÉM PERCO A PACIÊNCIA FÁCIL PRINCIPALMENTE NOS DIAS QUE ESTOU MAIS CANSADA… E FICA AQUELA VOZINHA NO INCONSCIENTE “VOCÊ QUE QUIS SER MÃE AGORA AGUENTE..” AÍ JUNTO COM ISSO VEM A CULPA ….E AO MESMO TEMPO DE TODA ESSA PARTE NEGATIVA SE ME PEDIREM SE EU FARIA DE NOVO, EU DIGO SIMMM!! AMO A MINHA FILHA!! AMO CUIDAR DELA, AMAMENTAR, (APESAR DE ME SENTIR EXAUSTA POR ISSO), DAR BANHO, PAPARICAR…SÓ NÃO CONSIGO SER UMA SUPER MÃE, UMA SUPER ESPOSA, UMA PROFISSIONAL 10!! SE MELHORO NUM LADO É POR QUE O OUTRO NÃO ESTÁ BEM CUIDADO… MAS ACHO QUE É SÓ UMA FASE…UM DIA PASSA E SENTIREMOS SAUDADES DE TUDO ISSO.

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    1. Karine Callegari

      Oi Cris!
      Muito obrigada pela contribuição. Ainda bem que temos umas as outras para dividirmos essas angústias.Saber que é natural essa reviravolta que dá nossas vidas.
      Como sou psicóloga, estava pensando em criar um grupo (presencial) para que as mães pudessem ressignificar várias questões. O que você acha?
      Beijos

      Reply
      1. cristiane

        SERIA BEM INTERESSANTE POR QUE É MUITO BOM DESABAFAR COM AS MULHERES QUE PASSAM PELAS MESMAS COISAS.

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        1. Karine Callegari

          Obrigada Cris!
          Eu e outra mãe psicóloga estamos elaborando um projeto de grupo para mães a cada 15 dias.
          Tens alguma sugestão?
          Bjs e mais uma vez obrigada!

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  4. Carla

    Boa Noite… ou será que devo dizer Bom Dia! Acordada desde as 3 da matina… Muito bom o teu texto e como é imensamente verdadeiro. Acredito que jamais seremos as mesmas e todas as partes da nossa vida, seja profissional, amorosa e, especialmente a pessoal, aquela mais interna mesmo, tem um novo significado.

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    1. Karine Callegari

      Bom dia Carla!
      Madrugada agitada… A minha também!
      Realmente a nossa percepção de nós mesmos muda completamente. Nos tornamos outra mulher né? Com outros significados…
      Sensacional!
      Obrigada por contribuir.
      Mil bjs

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  5. Sheila Galves

    EXATOOO…buscamos a perfeição por demais…tentamos ser as “super mães” e nos frustramos completamente quando não alcançamos este “objetivo”…realmente falta informações reais da maternidade antes de realiza-lo…
    Mas aprendemos…aprendemos todos os dias….!!
    Perfeito o texto!

    Reply
    1. Karine Callegari

      Obrigada Sheila, minha amiga e super mãe!
      A aprendizagem é uma constante. estamos sempre evoluindo como pessoas, mas principalmente como mães!
      Beijos

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  6. Ana Paula S. Bussolotto

    Perfeito Ka! Quando estava grávida idealizei tudo… imaginava um bebe de propaganda, sempre lindo, cheiroso, pensava que iria passar o inverno inteirinho assistindo filmes e curtindo meu pequeno.. ehehe mas não foi bem assim, as primeiras semanas foram difíceis, chorava escondido enquanto tomava banho, não que eu não amasse meu filho, eu o amo mais que tudo na vida, mas como imaginava tudo tão perfeito me deparei com uma realidade diferente, e um medo de não dar conta do recado.. o Murilo chorava, tinha cólicas, dormia de dia, ficava acordado a noite, tinha medo do meu leite não estar sendo suficiente… Várias situações que eu não tinha parado para pensar, até tinha lido sobre durante a gravidez, mas preferia focar nas cenas perfeitas dos filmes de romances que eu adoro. Mas ele foi me ensinando, e é bem isso, ao parar de tentar ser perfeita e esperar que tudo seja perfeito as coisas foram se ajeitando, o amor pelo Murilo, pelo meu marido, pela minha família vai me guiando, e cada dia vai ficando mais gostoso cuidar dele… Hoje minha vida é meu pequeno! Sinto que estou mais humana e aprendi a administrar o meu tempo ahahahah E eu adoro ler os teus textos, são demais! Obrigada por dividir teu conhecimento e tuas experiências! Beijão te tenho no coração.

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    1. Karine Callegari

      Linda minha… que feliz que fiquei em ler seu comentário.
      Isso é ser mãe! Aprendemos diariamente e nos tornamos, Graças a Deus, pessoas mais evoluidas.
      Saudades de você. Parabéns pelo seu filho lindo e por ser esta mãe espetacular.
      Um beijo cheio de carinho e admiração.
      Obrigada!

      Reply

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