Um ensaio sobre a (velada ou nem tanto) competição entre mães

Como vão mamães toda hora?

Aqui andamos com o coração partido, após um feriado, três dias agarrada no meu pitioco, voltar à escola não está sendo uma tarefa fácil. Ele está me testando a todo momento e em vários momentos do dia, mas deixar ele na escola está sendo sofrido. Sei da importância disso para o desenvolvimento e amadurecimento dele e meu também, mas que dói, dói!

Bom, a coluna de hoje foi escrita por uma colega minha Psicóloga, mãe de uma menina linda. Nem vou introduzir o tema por medo de fazer alguma interpretação errada a respeito do que ela escreveu, mas quero deixar aqui meu agradecimento por um texto muito bem escrito que retrata o lado da maternidade que poucas de nós conhecíamos antes de sermos mães!

Um beijo a todas e ótima leitura!

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Olá mamães toda hora!

Gostaria de compartilhar com vocês uma experiência que, possivelmente, muitas vão se identificar.

Há um ano e meio me tornei mãe, mas muito antes do nascimento, durante a gestação, estava me preparando para tal (depois percebi que fora um ensaio breve e inicial). A partir disto comecei a sentir e presenciar situações nunca antes vivenciadas.

Fui mais a fundo, passei a observar mais. Afinal, isto não estava descrito nos inúmeros livros, blogs e textos que li sobre a maternidade. Tampouco minha obstetra ou pediatra haviam mencionado.

Na gravidez, nós mamães nos deparamos com inúmeras incertas, como: “Eu engravidei logo que deixei de tomar pílula. E você?”; “Quantos quilos você engordou durante a gravidez? 15Kg? Nossa, eu só 8Kg e ainda perdi tudo na primeira semana, fiquei até mais magra”

Então chega a hora do nascimento, e… “Que pequeno, miúdo, não tem nem 2,5Kg. O meu tinha 52cm , 4Kg e nasceu de parto normal, veja só!”; “Você vai querer parto cesárea? Mas não tem nada de humanizado, para ser mãe precisa sentir as dores do parto” ou ao contrário “Parto normal? Que louca! Pra que sentir tanta dor se existe anestesia?”

A odisséia não pára por aí “Mama no peito?”, “Dorme a noite toda?”, “Senta?”, “Bate palminha?”, “Rola?”, “Já engatinha?”, “Caminha?”, “Fala?”, “Come sozinho?”, “Já tirou a fralda?”, “Frequenta a escola?”, “Já sabe ler e escrever?”.

E não são apenas estas disputas, mas também de quem executa os melhores cuidados: “Sempre dei o peito na hora que meu filho queria, nunca o vi chorar de fome assim”, “O meu bebê nunca teve cólicas e com pouco mais de um mês já dormia toda noite, dorme super bem”, “Na hora da papinha não tem sujeira, ele é muito comportado”. Ou então aparecem os super maridos e as super avós “O seu vai pra escolinha? Coitadinho! O meu vai ficar com a avó”, “Colocar pra arrotar, dar banho, fazer a papinha, não preciso me preocupar, pois meu marido faz tudo enquanto consigo descansar”.

Cada passo, cada escolha, tudo vigiado e comentado (seja no verbal ou no pensamento).

E nós caímos. Caímos na comparação, na culpa, no medo de que nossos pequenos não atinjam determinadas marcas, conquistas, prêmios imaginários. Inicia-se uma competição velada (ou nem tanto) entre pais (eu diria mães) sobre qual rebento é mais capaz, sobre qual bebê conquista as marcas que os livros de desenvolvimento humano ditam como as ideais e corretas.

As autoras do livro “Eu era uma ótima mãe até ter filhos” fazem a leitura sobre as críticas a respeito do diferente como uma forma de validar as próprias escolhas, somado a ideia falsa entendimento de que os filhos são resultado das ações/educação dos pais sobre eles, resultado absoluto do que se faz por eles.

No livro “A máscara da maternidade” a autora ainda explora que é como se nossos filhos fossem reflexo da competência, do êxito, do sucesso dos pais. Uma citação da obra descreve esse pensamento “O sentimento de valor pessoal de uma mulher enquanto mãe bem sucedida pode ser intensificado pelo fracasso que percebe nas outras.”

Tantas teorias, ideais, muitos é e não é, pode e não pode, deve e não deve fazem com que se percam os detalhes encantadores de cada momento, de cada fase, de cada descoberta que um filho adquire diariamente.

Afinal, para que tanta pressa para que o bebê caminhe se podemos aproveitar aquela mãozinha entrelaçada nas nossas ou nos o ter simplesmente em nossos braços? Pra que desejar tanto a fala e não ter tempo de ouvir as histórias que eles têm pra contar?

Minha dica é: viver o momento e a experiência no aqui e agora com seu filho. O lá e então, a experiência da comadre, o desenvolvimento do “Joãozinho” não fazem parte deste contexto.

Os pequenos sabem quando desejamos algo deles e se frustram quando não conseguem nos agradar e atingir às nossas expectativas. NOSSAS, APENAS NOSSAS! Permita que seu filho construa sua individualidade e se responsabilize pelas suas escolhas.

Os aprendizados e os méritos das conquistas são deles, mas a oportunidade de amadurecimento, crescimento e aceitação do diferente, do novo, do especial é toda nossa (mães e pais).

Competir e comparar pra que? O maior tesouro é único e já é nosso!

Mais amor, menos julgamento…

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grazipost2

Graziele Picolli é Psicóloga, mãe da pequena Isabelle e coordenadora de desenvolvimento profissional do SEST SENAT, onde é responsável por diversas ações e projetos, dentre o eles o Sinal Verde para a Educação no Trânsito, voltado à crianças e adolescentes. Facebook: facebook.com/grazielerp

 

Comentários (16)

  1. Enoir

    Concordo plenamente… É bem isso, as mãezinhas ficam comparando, e ainda tem aquelas que sempre argumentam que os seus filhos são melhores e prodígios. Mãezinhas, cada bebê é um bebê <3

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    1. Karine Callegari (Post author)

      Oi minha linda!
      E como tem gente que faz isso, né?
      Cada um é único, singular…. Precisamos curtir e aproveitar o tempo de cada um!
      Bjs e obrigada pela sua contribuição!

      Reply
    2. Graziele

      Olá mamãe!
      Um viva às diferenças, que nos tornam únicos e especiais.
      Obrigada pelo comentário!

      Reply
  2. Sofia

    Karine, adorei o texto e como é verdadeiro, muitas vezes os comentários são inconscientes mas não foge a isso: comparação. É difícil perceber que cada ser é único, tem seus próprios genes, sua própria genética, sua própria história. Super concordo com a última frase: Competir e comparar pra que? O maior tesouro é único e já é nosso!. Vou confessar que me policio para não agir de tal forma, pois é quase que automático os comentários, mesmo sem o tom da competição!!! Bjs

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      oi Sofia! Que bom que gostaste! Realmente eles são nosso bem maior e isso não tem preço, não tem comparação e competição que faça a gente deixar de amá-los mais que tudo.
      Obrigada pela contribuição.
      Bjssss

      Reply
    2. Grazi

      Realmente, precisamos nos policiar pra não fazer o mesmo joguinho que nos incomoda tanto.
      Obrigada pela contribuição!

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      1. Karine Callegari (Post author)

        Como é difícil nos policiarmos, né? Mas se faz necessário.
        Bjs e obrigada

        Reply
  3. Rosieli

    Realmente a competição existe!! Às vezes nem é por maldade, mas a outra pessoa tem por hábito sempre comparar. Isso é muito frustrante, ainda mais quando o nosso não esta ainda tão desenvolvido quanto o que ela indica ser o certo. Atitudes que temos que desconsiderar…. Mas que não é fácil, não é!! Parabéns pela matéria!! Beijos

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Realmente é difícil Roseli, mas é um exercício diário que devemos fazer e praticar!
      Beijos e grata pela contribuição.

      Reply
    2. Grazi

      Verdade, não é fácil deixar de pegar esse anzol. Mas com consciência e foco é possível perceber as intenções antes de deixar que determinado comentário pegue a gente!

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  4. Liliana Grando

    Olha só Grazi… sabias palavras, agente já tinha comentado sobre isso, e é tudo verdade!!! No fim agente sofre por bobagens que depois agente enxerga que era ridiculo!!! Até hoje
    às vezes ainda me pego pensando… comparando… Minha filha tem a letra péssima…. e eu sofria com isso… há pouco tempo me desliguei disso e adivinha… ela já tá melhorando muito…. quem sabe era eu mesma que não via a melhora dela em função dessa comparação que eu acabava fazendo…
    Beijocas em ti e na Belle

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Obrigada pela contribuição!
      Bjs

      Reply
    2. Grazi

      oi Lili!
      Sim, nós já conversamos sobre isso… Quantas angústias pra chegar à conclusão de que elas são perfeitas na sua imperfeição. Essa é a verdade.
      Beijos em ti na minha afilhada Ana Laura

      Reply
  5. Ailor Carlos Brandelli

    Muito legal esse texto e profundamente verdadeiro.
    O pior disso tudo é que a comparação só piora com o passar dos anos, das competições escolares, entre os amigos da rua.
    Passam-se os anos e ainda é possível lembrar com que tínhamos que “competir” quando “comparados”.
    Parabéns pela abordagem.

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Perfeita colocação meu amigo!
      Essa é a vida! A competição paira sempre e em todos os momentos.
      Como seria bom evoluirmos para a cooperação e não só insistir na competição.
      Um beijo grande

      Reply
    2. Grazi

      Obrigada pela contribuição!
      Nosso dever é aprender a lidar com essa realidade para absorver o menos possível estas possíveis comparações.
      Abraços!

      Reply

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