Qual a diferença entre as fórmulas infantis?

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Olá minhas amigas, parceiras Mamães Toda Hora!

O assunto desta sexta-feira é muito discutido nas redes sociais, inclusive no grupo do facebook Mamães de BG.

Para introduzir e elucidar o tema acredito ser pertinente contar um pouco da nossa (minha e do Léo) trajetória.

Quando estamos grávidas, mil expectativas rondam nossa cabeça, mil informações nos são passadas, mil pesquisas fazemos. Tudo em prol do melhor para nosso bebê.

Um dos meus medos era relacionado à amamentação.

Por que eu tinha medo?

Porque na minha adolescência fiz uma cirurgia de redução de mama e me disseram que poderia ter problemas futuros com a amamentação. Naquele tempo não me preocupei muito com o que me disseram, mas quando engravidei foi uma das primeiras coisas que passaram na minha cabeça.

E agora? Será que conseguirei amamentar? O que farei se não der?

Ainda na sala de recuperação, quando me trouxeram o Léo, pequenininho, lindo, frágil, completamente dependente de mim, o colocaram diretamente no meu seio.

Confesso que fiquei assustada, não sabia como fazer, não conseguia me mexer devido à anestesia, morfina e afins! Mas a natureza é tão sabia que logo ele descobriu a maneira de sugar e ficou por um bom tempo ali comigo. Nós dois, num momento mágico, de descoberta e aprendizado para ambos.

E assim se passaram alguns meses da nossa vida!

Tenho consciência da importância da amamentação e sou super adepta. O leite materno é o melhor alimento. Tem uma composição nutricional perfeita às necessidades do bebê, além de todo o vínculo estabelecido nesta relação.

Porém, os primeiros 30 dias aqui em casa foram tumultuados. O Léo, além de mamar muito e por muito tempo, chorava quando não estava no seio e começou a perder peso. O pediatra dele da época me dizia: “É assim mãezinha, livre demanda!” e eu pensava comigo: “algo não está certo!”

Procurei uma segunda opinião e descobri que meu pequeno estava com fome!

Devido à cirurgia mamária que fiz, meus ductos não liberavam leite suficiente. Foi neste momento que introduzimos a fórmula pois não poderia garantir uma alimentação suficiente para meu pequeno dando só o peito. Precisei da dieta complementar (amamentava por 45 minutos a uma hora e depois complementava com a fórmula).

Depois disso, nossa vida mudou… Mudou muito!

Além da conversa com a nova pediatra dele, busquei muitas informações a respeito das fórmulas junto à internet e a amigas mães e amigas nutricionistas.

Percebi que existem muitos casos que se torna importante o uso de fórmulas infantis e por isso é importante sabermos as diferenças existentes, pois na impossibilidade do aleitamento materno torna-se necessário oferecermos todos os nutrientes importantes para o crescimento e desenvolvimento dos nossos pimpolhos.

Sabemos que hoje existem diversos tipos de fórmulas infantis no mercado que cumprem com este papel. A decisão sobre qual devemos usar deve vir sempre através do Pediatra ou Nutricionista que acompanha a criança.

Portanto, caras mamães, muitas das coisas que encontrei, não sabia o que significavam como: DHA, ARA, prebióticos. Assim, abaixo seguem os tipos de fórmulas que pesquisei e gostaria de passar a vocês de forma clara, objetiva, porém que contenham as informações necessárias para uma consulta rápida:

  •  Fórmula à base de leite (destinada a bebês saudáveis): proporciona uma nutrição balanceada oferecendo todas as vitaminas e minerais que o bebê necessita para crescimento e desenvolvimento. Tem boa aceitação e com um preço mais acessível.
  • Fórmula à base de leite Premium (destinada a bebês saudáveis): É a fórmula Infantil que mais se aproxima do leite materno. Possui DHA e ARA (gorduras que são importantes para o desenvolvimento visual e cerebral do lactente). Possui quantidade e qualidade de proteína mais próximo do leite materno (importante para o crescimento e desenvolvimento adequado). Existe apenas uma marca no mercado que possui este benefício. Podem vir acrescidas de prebióticos (Fibras) para auxiliar no funcionamento do intestino (4g/litro é uma quantidade segura de prebióticos ).
  • Fórmula à base de leite SuperPremium: Recente lançamento de fórmula mais moderna e avançada. Possui uma proteína patenteada e parcialmente hidrolisada que proporciona melhor digestão e absorção. A quantidade e a qualidade da proteína é mais próxima do leite materno podendo prevenir doenças metabólicas como a obesidade futura. Possui DHA e ARA (gorduras que são importantes para o desenvolvimento visual e cerebral do lactente). Existe apenas uma marca no mercado que possui este benefício.
  • Fórmula à base de leite Parcialmente Hidrolisada (HÁ – hipoalergênico): Esta fórmula é destinada a bebês com histórico familiar de manifestações alérgicas, indicado antes do surgimento dos sintomas, desde o nascimento. Possui DHA e ARA (gorduras que são importantes para o desenvolvimento visual e cerebral do lactente). A proteína é parcialmente hidrolisada (qualidade superior e parcialmente quebrada para diminuir as chances de desenvolvimento de dermatite atópica – um dos tipos mais comuns de dermatites).
  • Fórmula à base de leite Anti- Refluxo (AR): Esta foi a que utilizamos com o Léo até um ano de vida. É destinada a bebês saudáveis com episódios de regurgitação. Esta fórmula é espessada com amido pré-gelatinizado, que proporciona uma viscosidade adequada na mamadeira e um espessamento no estômago do lactente reduzindo até 95% dos casos de refluxo (importante destacar que o espessamento ocorre somente no estomago e o leite não deverá ter aspecto de “engrossado”. Possui DHA e ARA (gorduras que são importantes para o desenvolvimento visual e cerebral do lactente)
  • Fórmula à base de soja: Destinada a bebês com intolerância à lactose e alergia a proteína do leite de vaca. Com DHA e ARA (gorduras que são importantes para o desenvolvimento visual e cerebral do lactente). Constituída com proteína a base de soja. Este tipo de fórmula existe com ou sem sacarose, lembrando que a sacarose não é indicada no primeiro ano de vida.
  • Fórmula sem Lactose: Esta é destinada a bebês com intolerância à lactose ou em período de diarréia pós-antibiótico. Possui DHA e ARA (gorduras que são importantes para o desenvolvimento visual e cerebral do lactente). Esta fórmula NÃO contém lactose. Apresenta nucleotídeos, contribuindo para a recuperação das vilosidades (a principal função das vilosidades é aumentar a absorção dos nutrientes após a digestão.) e, assim, promovendo a melhora da integridade da mucosa. Possui baixa osmolalidade, contribuindo para a melhora da diarréia e auxiliando na recuperação do ganho de peso.
  • Fórmulas Extensamente Hidrolisadas: Estas são destinadas a bebês com Alergia a Proteína do Leite de Vaca. Possui DHA e ARA (gorduras que são importantes para o desenvolvimento visual e cerebral do lactente). 80% de peptídeos e 20 % de aminoácidos livres (proteínas quebradas para facilitar a digestão de pacientes com alergia). Existe opções com e sem lactose.
  • Fórmulas 100% Hidrolisadas: Destinada a bebês com Alergia a Proteína do Leite de Vaca mais graves. Esta fórmula infantil é constituída 100% de aminoácidos livres com triglicérides de cadeia média. Com DHA e ARA (gorduras que são importantes para o desenvolvimento visual e cerebral do lactente) e sem adição de lactose.
  • Fórmulas PRE: Esta é específica para bebês prematuros. Possui maior quantidade de energia necessária ao rápido crescimento. Proteína com melhor qualidade proporcionando ótima digestibilidade e adequado perfil de aminoácido. Com DHA e ARA (gorduras que são importantes para o desenvolvimento visual e cerebral do lactente) e cálcio de alta biodisponibilidade essencial à adequada mineralização óssea.

Espero ter ajudado e, em caso de alguma dúvida, farei o possível para esclarecer com profissionais especializados!

O importante mesmo é que nossos pimpolhos estejam bem, se alimentando bem e recebendo o carinho que esse momento necessita!

Um beijão enorme a todas e boa semana!

Mamães, as referências técnico científicas a respeito da coluna de hoje, podem ser consultadas em:

Billeaud, C., J. Guillet, and B. Sandler. “Gastric emptying in infants with or without gastro-oesophageal reflux according to the type of milk.” European journal of clinical nutrition 44.8 (1990): 577-583.

Chung, Mei-Yung.Factors Affecting Human Milk Composition. Pediatrics & Neonatology , Volume 55 , Issue 6 , 421 ¨C 422.

Druet, C¨¦line, et al. “Prediction of childhood obesity by infancy weight gain: an individual©\level meta©\analysis.” Paediatric and perinatal epidemiology 26.1 (2012): 19-26.

Koletzko, Berthold, et al. “Protein Intake in the First Year of Life: A Risk Factor for Later Obesity?.” Early nutrition and its later consequences: new opportunities. Springer Netherlands, 2005. 69-79.

Pecquet, Sophie et al. Peptides obtained by tryptic hydrolysis of bovine ¦Â-lactoglobulin induce specific oral tolerance in mice. Journal of Allergy and Clinical Immunology , Volume 105 , Issue 3 , 514 ¨C 521.

Weber, Martina, et al. “Lower protein content in infant formula reduces BMI and obesity risk at school age: follow-up of a randomized trial.” The American journal of clinical nutrition 99.5 (2014): 1041-1051.

Comentários (16)

  1. CLAUDIA

    Ola Karine !! muito interessante e importante o assunto .. mas tenho uma pergunta .. até que idade amamentar ?? porque dizem que amamentar depois dos dois anos´é prejuízo a criança ?? oque fazer se se esta nesta situação ?? como cortar este ” vinculo ” ??

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Olá Claudia!
      Excelente questionamento!
      Vou responder o que penso e espero que outras especialistas possam nos ajudar neste seu questionamento.
      Acredito que a hora certa do desmame não exista. É uma questão de respeitar o tempo de cada um e o quanto isso é importante para mãe e bebê. A decisão deve ser tomada em conjunto com o pediatra, levando em conta a situação de cada criança e de cada família. São fatores a ser considerados: o desenvolvimento físico da criança, a facilidade de aceitar outros alimentos, a disponibilidade da mãe, por exemplo.
      Dentre as pesquisas que realizo, o que é recomendado é a amamentação até os 2 anos de idade. Hoje chamamos isso de amamentação prolongada. Porém, existem várias questões para conseguir isso e, são inúmeros os benefícios emocionais e físicos da amamentação prolongada.A amamentação oferece aconchego e segurança à criança. Em vez de ela ficar mais dependente de você, essa proximidade entre vocês dois a ajuda a conquistar uma maior independência, à medida que se sente mais segura de si, em termos emocionais.(verifica no site – http://brasil.babycenter.com/a3400266/amamenta%C3%A7%C3%A3o-prolongada).
      Eu amamentei até que consegui, apesar de sempre ter que complementar, não abri mão da amamentação. mas devido ao trabalho e a periodicidade das mamadas, o leite acabou diminuindo significativamente até que secou.
      O Léo mamou no peito e complemento até os 8/9 meses, e hoje sinto muita falta desse nosso momento.
      Acessa também o site: http://www.comecarsaudavel.com.br/para-a-mamae/blog/detalhe/11-08-01/Amamenta%C3%A7%C3%A3o_benef%C3%ADcios_para_a_vida.aspx

      Não sei se te respondi Cláudia.
      Obrigada pela contribuição.
      Mil beijos!

      Reply
  2. Sami

    Utilidade pública, como sempre!!! passei pelas mesmas angústias e preocupações…….e como a gente sofre no início!! qdo vi que o que meu filho tinha era fome e a fórmula supria isso, parei de encanar e relaxei….o importante era ter ele cheio de saúde e crescendo forte!!!

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Oi Sami!
      Como é bom desencanar e relaxar…
      Sempre fazemos de tudo para o melhor sempre.
      Mil beijos e obrigada pela contribuição.

      Reply
  3. Katia

    Adorei! Muito esclarecedor! Me identifiquei muito com a história pois também fiz redução, e passei pelas mesmas angústias nos primeiros dias de vida da minha pequena.

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Que bom Katia!
      Fico muito feliz com isso!
      obrigada pela contribuição!
      Beijos

      Reply
  4. Andressa Giacomello Dal Cin

    Só reforçando o que está escrito, Formula sem lactose não é indicada para alergia a proteína do leite de vaca….
    E um comentário: nem sempre necessitar da fórmula em algum momento, seja pelo peso do bebê ou outro fator, significa ter que continuar dando…. muitas mães conseguem depois retomar o aleitamento materno exclusivo…
    o uso indiscriminado da fórmula ou outros leites, precoce, sem orientação, pelo que vejo na minha experiência profissional, não é boa ideia…

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Obrigada Andressa!
      Sempre é bom a opinião e esclarecimentos de especialistas como você!
      Beijos

      Reply
  5. Josi Mattos

    Olá Karine
    Muito boas essas informações,eu tive dificuldades de amamentar o Matheus e com 15 dias ainda nao estava com o peso que havia nascido, a formula foi a melhor coisa em uma semana tinha adquirido mais 500kg hoje ele esta com 1 ano e 9 meses e continua na formula por opção nossa.
    Parabéns pelo blog

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Oi Josi!
      Obrigada pela contribuição!
      O Léo também está com 1 ano e 9 meses e também seguimos na fórmula!
      Beijos e bom final de semana!

      Reply
  6. Juli

    Ka…
    Tu não sabe o quanto ler isso foi “esclarecedor”!!!
    Amamentei o Vítor por 40 dias, mas sempre peito e NAN!!! A Martina consegui até os dois meses, também peito e NAN!!! Talvez por terem nascido grandes, meu leite não era suficiente… Sei lá… E aos poucos fui “desistindo”!!! Graças a Deus eles se adaptaram super bem a fórmula e cresceram fortes e saudáveis… (Costumo dizer que sou fã número 1 da Nestle, pq além do NAN, as papinhas também me salvaram!!! rsrsrs))
    Agora com o Diguinho to passando os pecados!!! rsrsrsrs
    Primeiro pq consegui amamentá-lo por DOIS DIAS!!! Segundo pq ele tem muito refluxo e muita cólica!!! Em dois meses já passei por todos esses tipos de leites e continuo trocando… Na tentativa de acertar!!! Mas não ta fácil!!!
    Pelo menos agora sei a diferença que eles têm!!!
    Beijos

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Oi Juli!
      Você tem experiência de sobra em relação a isso, e tenho certeza que logo logo o Diguinho estará se adaptando a tudo isso.
      Que bom que gostaste!
      Fico muito feliz!
      Obrigada pela contribuição, mil bjs

      Reply
  7. Germana Milesi

    Karine, muito boa a leitura!!! Também dou formula pro meu bebê, confesso que na hora que a pedi me disse que teria que entrar com fórmula, meu mundo caiu, mas depois conversando com a pedi e lendo muito sobre o assunto, vi que não era o fim do mundo e que seria uma ótima solução para bebês que comem demais…. Um abraço!!!

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Germana, isso mesmo! É bem assim que nos sentimos!
      Obrigada pela contribuição.
      Bjs

      Reply
  8. Elineia Rita Bassani

    Parabéns Ká…Como sempre muito bom e esclarecedor seu texto!!

    Bjs

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Obrigada Eli. Que bom que gostaste! Bjs

      Reply

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