Transportando crianças com segurança

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Olá Mamães Toda Hora!

O uso do bebê conforto e da cadeirinha sempre me geraram muitas dúvidas. Não só como colocar, mas o lado que é melhor, até que idade, peso… Enfim, depois de muito pesquisarmos e conversarmos com outros pais, conseguimos encontrar uma cadeirinha, que se eu tivesse descoberto ela antes, teria comprado desde que o Léo nasceu, pois ela funciona como bebê conforto também.

O Léo nunca foi resistente (tirando uma vez que outra), mas muitas vezes ele tenta barganhar uma volta no banco da frente e se contrariado faz a maior birra. Nestas horas, tentamos conversar, mostrar para ele que é para sua segurança, mas nem sempre funciona! Nessas horas, descobrimos um apelo, que talvez psicologicamente não seja o mais adequando, mas que funciona bem: “Léo, você precisa ir para a cadeirinha agora, caso contrário a polícia prende a mamãe!” Sei que parece horrível e dá uma conotação negativa, porém tem horas em que estou sozinha e uma criança de praticamente um metro de altura e 18kg fica difícil de segurar.

Por isso caras mamães, a psicóloga, mãe  e parceira Graziele Picolli nos passa todas as informações e dicas necessárias para acabar de vez com qualquer dúvida que ainda possa existir.

Beijos e Boa leitura!

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Que lugar de criança é no banco de trás, todo mundo já sabe. No entanto muitos esquecem que além de sentar no banco traseiro, ela precisa estar adaptada a um dos recursos seguros para seu transporte, que reduz o risco em caso de colisão ou desaceleração repentina do veículo, limitando o deslocamento do corpo da criança. É lei, descrita no Código de Trânsito Brasileiro, é mais seguro e protege a frágil vida dos pequenos.

A conscientização para que a criança aceite o bebê conforto ou a cadeirinha deve começar bem cedo, explicando à criança a importância do dispositivo e considerando que ela não tem discernimento para entender os riscos do não uso. Ou seja, o uso do dispositivo deve fazer parte da educação da criança e sempre deve ser relacionada, pelos adultos, a algo bom e necessário.

O uso do bebê conforto, da cadeirinha e do assento de elevação é a única forma segura de transporte de crianças em veículos. Estes equipamentos, segundo estudos, podem reduzir o risco de morte em 71% e o de hospitalização em 69%. Em 2010, segundo dados do Ministério da Saúde, 528 crianças morreram e 1.347 foram internadas vítimas de acidentes como passageiras de veículos. Quando a lei completou um ano de obrigatoriedade, o uso dos dispositivos reduziram mais de 40% das mortes de crianças com até 7 anos em acidentes de carro no Brasil, conforme a Polícia Rodoviária Federal.

Mas, o que é o correto?

1Até 1 ano de idade: o bebê deve ser colocado no dispositivo de retenção, o bebê conforto, fixado no banco traseiro do veículo, de costas para o motorista, posicionado num ângulo de 45º, com o cinto de segurança afivelado no bebê conforto e com as alças do dispositivo presas no bebê.

2De 1 a 4 anos de idade: a criança deve andar na cadeirinha, fixada no banco traseiro do veículo com o cinto de segurança, virada de frente para o motorista. Não esquecendo, deve-se colocar o cinto de segurança também na criança.

 

3De 4 a 7 anos e meio de idade: a criança deve passar ao assento de elevação (algumas cadeirinhas já tem no seu conjunto este assento), ainda no banco traseiro, desde que o cinto de três pontos se posicione corretamente sobre o peito e os quadris da criança. Nunca deve passar pelo pescoço.

4De 7 anos e meio a 10 anos de idade: a criança já pode passar ao banco do carro, sempre utilizando o cinto de três pontos posicionado na altura do peito e dos quadris, ainda no banco traseiro, com as costas bem apoiadas no encosto. Após esta idade máxima, e quando atingir 1,45m, a criança já poderá usar o banco dianteiro, ainda com cinto de segurança.

Existem algumas controvérsias quando fala-se em idade x peso. Muitas vezes o bebê já passa para a cadeirinha antes de um ano, por exemplo, por atingir um porte maior que o indicado ao bebê conforto, conforme manual do produto. Por isso, além de cumprir a lei, é sempre importante analisar as recomendações do fabricante quanto ao peso e altura recomendado para cada dispositivo, bem como as análises realizadas pelo INMETRO. E a colocação do dispositivo no carro, com o cinto de segurança, é de suma importância para a eficácia do dispositivo, portanto as instruções do manual devem ser seguidas à risca.

Também há discussões acerca do melhor lado do carro para transportar a criança. Logicamente sempre é o correto onde o cinto de segurança é de três pontos, mas quanto ao lado (atrás do motorista ou do carona) não há nenhum indicador legal. Eu e meu marido, por exemplo, procuramos deixar nossa filha no lado onde podemos desembarcá-la pela calçada na frente da escola, que é onde mais circulamos com ela. No caso das camionetes sem bancos traseiros, a legislação permite que a criança possa ser transportada no banco da frente, desde que o banco seja afastado para trás o máximo possível. Esta situação também é permitida quando o número de crianças for maior que três dentro do veículo, obrigando a ocupar o banco dianteiro, e quando os cintos traseiros foram de apenas dois pontos.

Muitas crianças reclamam por utilizar os equipamentos, choram, evitam, fazem chantagem e usam os mais variados (e criativos) argumentos. Cabe ao adulto, com discernimento do certo e do errado, zelar pela segurança e argumentar com a criança sobre o uso, sua importância e relevância. E, ao adulto também cabe não se deixar influenciar por seus próprios conceitos incorretos. Por exemplo, conheço muitas pessoas que cumprem fielmente a lei, mas que por muitas vezes deixam de colocar a criança no dispositivo ou deixam de prender o cinto porque o trajeto é curto. Não há como confiar apenas no destino, o trânsito é um espaço público, ocupado pelos mais variados integrantes, logo um acidente pode estar logo à frente, mesmo que seja em uma quadra.

Algumas dicas para pais e crianças ficarem mais amigos dos dispositivos de segurança no trânsito: A criança, quando crescida, pode participar da compra da cadeirinha, escolher cor, modelo. Há possibilidade de levar a cadeira para dentro de casa e inseri-la nas brincadeiras, tornando-a mais familiar e menos assustadora. Às crianças e bebês inquietos em longos trajetos, e até muitas vezes isto em decorrência do calor, realizar paradas e retiradas do dispositivo, usar protetores nos vidros para evitar o sol direto. Também é possível brincar de contação de histórias, pois utilizar alguns brinquedos dentro do veículo pode se tornar perigosos com a movimentação do carro. Existe um retrovisor específico para os pais visualizarem o bebê no bebê conforto, em função do dispositivo ficar virado de costas para os bancos, isso pode diminuir a ansiedade dos pais que estão na direção, uma vez que conseguem acompanhar o bebê no caminho. Às mamães que amamentam, é indicado parar o veículo sempre, mesmo que isto altere o tempo de trajeto. É correto e totalmente seguro. Em situação de colisão, nem a mãe, nem outra pessoa será capaz de manter a criança nos braços. Não é preciso dizer mais nada!

Os pais se preocupam com alimentação, agasalho, vacinação, educação, mas muitas vezes esquecem-se do adequado transporte dos seus filhos. Mais que uma atitude por obrigação e dever, seguir estas normas é um ato de cuidado e de amor para com aquele ser mais importante em nossas vidas.

*Até o momento, taxis, ônibus e vans escolares estão isentos de utilizar os dispositivos.

*Estas regras são baseadas nas Resoluções legais, porém elas podem ser alteradas por Legislação Municipal específica.

Fontes: CTB (Código de Trânsito Brasileiro – artigo 64 e 65), DENATRAN (ONG Criança Segura – Ministério das Cidades e Resoluções 277/08, 352/10, 391/11) e DETRAN-RS

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graziGraziele Picolli é Psicóloga, mãe da pequena Isabelle e Coordenadora de Desenvolvimento Profissional do SEST SENAT, onde é responsável por diversas ações e projetos, dentre o eles o Sinal Verde para a Educação no Trânsito, voltado à crianças e adolescentes. Facebook: facebook.com/grazielerp

 

Comment (1)

  1. Cetis

    Texto maravilhoso,compartilho a mesma opinião. Fizemos uma viagem de avião e não abri mão de levar comigo as cadeirinhas de carro dos meus filhos pois no destino iríamos precisar, mesmo q com isso aumentou o volume de bagagens.
    Muitas pessoas se preocupam em apenas não levarem multa de trânsito por estar sem, mas esquecem de se preocupar com o mais importante a segurança dos pequenos.
    Parabéns Grazi pela matéria.

    Reply

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