Um novo olhar para a vida profissional após a maternidade!

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Olá Mamães Toda Hora, todas bem?

Hoje, dia de especialista, nossa parceira, mãe e fonoaudióloga Erica Cimadon conta sobre sua história como mãe-profissional.

Deixo sempre claro para todas as pessoas com as quais convivo e que me procuram, de uma forma ou outra, para conversar sobre a maternidade, que depois que viramos mães passamos a enxergar e entender as coisas (teorias aprendidas e aplicadas) de outra forma.

Nunca vou esquecer o quanto me senti ofendida por um casal, há muito tempo atrás, quando estava fazendo a avaliação do filho deles. O pai, sem mais nem menos, falou: “Você é mãe? Não, né? Então, quando fores saberás que as coisas não são tão simples assim.” Nessa hora me subiu uma raiva imensa e a única coisa que respondi foi: “Não, não sou mãe ainda, infelizmente! Mas estudei muito para poder orientar vocês da melhor maneira possível!”

Hoje agradeço a esse pai, pois ele estava muitooooo certo. Como profissional e mãe, percebo que nem sempre a teoria ou as abordagens que aprendemos se aplicam quando somos mães. Pois quando vivenciamos a maternidade, é ela que prevalece e é ela que faz a gente mudar muito nosso olhar sobre a teoria e técnicas aprendidas.

Ainda, num dia desses, em um grupo de estudo que participo, analisando uma ferramenta para ser utilizada na clínica, falei para as demais: “A pessoa que pensou nessa abordagem não deve ser mãe ainda!”

Pelo amor de Deus, não estou desmerecendo, de forma alguma, as profissionais que não são mães ainda ou não querem ser. Acredito muito no conhecimento que adquirimos e confio muito em várias profissionais, seja da minha área ou não. Mas que nosso olhar materno muda o nosso olhar e entendimento da teoria, ah!!! isso muda muito!

Portanto mamães e futuras mamães, segue abaixo o que nossa mãe/profissional Erica Cimadon preparou para hoje.

Boa leitura.

Beijos

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Olá mamães toda a hora! Sempre que posso escrevo – com muito orgulho- sobre o desenvolvimento da fala do meu filho, fazendo um link entre minha vida de mãe e de fonoaudióloga. Hoje resolvi dividir com vocês uma experiência onde eu estou no papel de mãe diante de uma “dificuldade”. Geralmente eu avalio e explico para os pais as dificuldades relacionadas a minha área de atuação e como podemos ajudar seus filhos. Desta vez, estou do outro lado.

Sempre digo que quem trabalha com crianças deve ter filhos. Minha vida profissional mudou muito depois que me tornei mãe. Mudei meu olhar em relação a angústia dos pais diante de uma dificuldade de seus filhos, mudei minha relação com meus “pacientinhos”.

As famílias que me procuram obviamente estão em busca de ajuda para sanar alguma dificuldade que seus filhos vem apresentando. Independente da dificuldade, seja ela um grande atraso na linguagem, uma dislexia, uma grande dificuldade de aprendizagem, uma deficiência auditiva ou até mesmo uma simples troca de fonema na fala, as reações dos pais sempre se caracterizam como angústia, tristeza, sensação de fracasso e muita, mas muita ansiedade pela melhora.

Há um tempo avaliei uma criança de três anos com queixa de dificuldade de fala e de audição. Os testes auditivos sugeriram uma perda auditiva moderada nas duas orelhas. Imediatamente encaminhei para um otorrinolaringologista e sugeri teste de aparelhos auditivos. Além de conversar muito sobre o quanto essa perda auditiva poderia prejudicar o desenvolvimento dessa criança se não fosse tratada.

Os pais acataram minha orientações, mas resistiram muito em colocar os aparelhos na criança alegando que o som era muito alto (eles provaram os aparelhos). Minha fala foi: O som é alto para vocês que não tem dificuldades para ouvir! Para ele será ótimo!

Após algum tempo, decidiram oferecer para a criança e a adaptação foi incrível. A criança aceitou muito bem os aparelhos e hoje, anos depois, está alfabetizada, falando corretamente e muito feliz com seus aparelhos auditivos.

Contei essa história para chegar a minha história. Quando o Mateus tinha seis meses de idade a pediatra me sugeriu fazer uma avaliação oftalmológica de rotina. Fiz e a médica que realizou a avaliação me disse que meu filho tinha um grau limítrofe para hipermetropia, mas que não precisava me assustar e sim reavalia-lo em seis meses. Seis meses depois o diagnóstico se manteve e seis meses mais tarde repetimos a avaliação pela terceira vez e recebi a noticia que o grau havia aumentado e ele precisaria usar óculos.

Obviamente aquela sensação de fracasso, tristeza e angústia tomou conta de mim. Decidi, antes de mandar fazer o óculos, procurar uma segunda opinião de um especialista em oftalmologia pediátrica. Levei meu filho para a consulta – ele estava com 1 ano e 9 meses- e o oftalmologista pediátrico confirmou que o Mateus realmente precisaria de óculos, mas não naquele momento. Me explicou que esperaria até os três anos para prescrever o óculos pois nessa idade o olho da criança consegue “dar conta” dessa alteração, mas pediu reavaliação em seis meses.

Em outubro, o Mateus estava com 2 anos e 4 meses, fomos para a consulta novamente (era a quinta avaliação) e o oftalmologista pediátrico nos disse que o grau havia aumentando novamente e que ele já estava com desconforto para enxergar e que o óculos era necessário.

Na hora fiquei triste, mas pensei que o óculos seria uma solução para um problema e que faria qualquer coisa para ver meu filho bem. Fomos à loja, junto como Mateus, escolhemos a armação, o tipo de lentes e mandamos fazer. Alguns dias depois me ligaram avisando que o óculos estava pronto. Fui sozinha na loja buscá-lo e obviamente testei em mim. Nesse momento meu mundo DESABOU! A lente era muito forte e eu não conseguia enxergar nada com ela. Entrei em desespero, chorei, pensei várias vezes na hipótese de não dar o óculos pra ele, afinal, era forte demais. Tive pena do meu filho, me senti a pior mãe do mundo, imaginei ele berrando e se desesperando quando colocasse o óculos, imaginei as pessoas olhando para ele e dizendo: “- coitadinho!”

Fui confortada por duas amigas que me acalmaram e me fizeram entender, ou melhor, me fizeram lembrar que os óculos fariam bem para ele e que o médico certamente sabe o que esta fazendo. O óculos era forte para mim, mas com certeza era adequado para ele. Todo aquele papo que eu falo para os pais dos meus pacientes no momento de uma devolutiva.

Cheguei em casa naquele dia e convidei o Mateus para brincar. Mostrei os óculos e coloquei nele. Ele amou! Se adaptou super bem e me pede para usá-los. Fora que ficou um fofo de óculos.

Qual a lição de tudo isso?? Toda a nossa teoria cai por terra quando estamos do outro lado (lado de ser mãe). Nenhuma especialização, mestrado, doutorado, anos de experiência profissional iria me ensinar tanto quanto essa vivência. Outra lição: Como sofremos por antecipação diante de um “problema”. As vezes a solução/remediação é tão simples que nossos filhos tiram de letra e nos surpreendem.

Claro que eu não gostaria que ele tivesse que usar óculos. Mas essa é a solução para ele! Que bom que ele pode enxergar melhor!!

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1-1-foto-277x3001-208x300Érica Cimadon é fonoaudióloga, especialista em neuropsicologia pela UFRGS, com aperfeiçoamentos em processamento auditivo. Atua com atendimentos a crianças nas áreas de linguagem e aprendizagem há 7 anos na Clínica Jeito de Ser e mamãe do Mateus, de 2 anos. “Ter um filho é muito mais que uma especialização… nos permite nos colocar no lugar das famílias que buscam ajuda para seus pequenos, tendo um olhar profissional, mas acima de tudo, mais  humano…”

Comment (1)

  1. Pri

    Bem isso Érica!! Percebi também que antes atendia o telefone ou e-mail profissional antes de tudo. Hoje em dia, após os dois filhos, a prioridade mudou!
    Bjo

    Reply

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