Síndrome da Mãe Moderna!

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Hoje, em especial dedico esta coluna a uma amiga (que ainda não é mãe) que me inspirou com seu relato de uma noite mal dormida por causa de um alarme na vizinhança.

Ela mandou uma mensagem no WhatsApp (que acabei deletando) dizendo que havia passado a noite praticamente em claro por causa de um alarme e, ainda por cima, tinha que acordar cedo para trabalhar na manhã seguinte. E, pensou em nós mães dizendo o quanto somos guerreiras por passarmos várias noites mal dormidas e, ainda, conseguir dar conta do dia seguinte, mesmo estando cansadas.

Só me lembro de ter respondido umas risadas e escrevi: a gente acostuma.

É engraçado, mas nosso organismo acaba acostumando com essa rotina materna, que mesmo não sendo solicitada durante à noite, acabamos acordando pelo menos uma vez para ver se está tudo bem (bom, pelo menos eu acordo!).

Quando o Léo tinha 5 meses, encerrou minha licença e férias tendo que retornar ao trabalho. Não posso dizer que foi fácil, bem pelo contrário, foi sofrido por demais. Antes de ganhar ele, me lembro dizer que não saberia como seria minha vida ficando sem trabalhar por 5 meses. Achei que surtaria, que me sentiria sufocada… Sempre trabalhei três turnos diários e, de repente, me ver em casa “SÓ” cuidando de um bebê, parecia pouco e monótono.

Para minha surpresa os 5 meses passaram voando e hoje confesso que não tinha a mínima vontade de voltar a trabalhar. A rotina diária de mãe tomou e continua tomando conta do meu dia. Quando via já era dia, quando dava por mim já era noite e já era dia novamente. Os dias passavam voando, as tarefas de casa (isso que minha mãe me ajudava muito) e de cuidar de um bebê tomavam conta do meu dia de tal forma que o cansaço era muito maior do que o que eu sentia trabalhando os três turnos. Mas, o apego, a ansiedade de separação, a vontade de estar junto, pareciam bem maior que a necessidade de voltar a trabalhar.

Porém, como não posso ficar sem trabalhar, logo me adaptei a rotina laboral novamente. Só que desta vez um pouco menos acelerada que antes. Nesta época lembro que dentre as mães que faziam aula de musicalização com os bebês, eu era uma das poucas (acho que era a única?!?) que trabalhava e deixava o filho na escola. Me sentia um pouco culpada, mas ao mesmo tempo sabia que era bom para mim e para ele.

Há pouco tempo atrás, conversando com uma destas mães que na época não trabalhava e agora voltou a ativa, percebi que a angústia dela em relação a dar conta de tudo e com o cansaço de duas jornadas, para mim, já fazem parte da rotina que mal percebo!

Como pode, nos acostumamos, nos adaptamos de tal forma que quando nos damos conta entramos novamente no piloto automático.

Sim, me irrito, surto, enlouqueço, tenho vontade de matar meu marido inúmeras vezes… Mas aprendi a controlar minhas emoções e entender o real papel da mãe moderna.

Sempre estudei e trabalhei muito! Depois que virei mãe, diminui essa minha rotina. Porém, percebo que agora grávida, estou querendo fazer vários cursos, me atualizar quanto eu posso, para depois que o Pedro nascer eu não me sentir deixada de escanteio profissionalmente. Pois sei que será praticamente impossível conseguir fazer algo por um certo tempo.

Já estou reestruturando minhas atividades profissionais e repensando outras. Sei da importância de se ter tempo “bem aproveitado” com os filhos, livre de tanto estresse e cansaço e quero cada vez mais isso.

Estou abandonando a tal Síndrome da Mãe Moderna, que consegue dar conta de tudo e de todos, que quer e precisa estudar, trabalhar, cuidar da casa, do marido, dos filhos e de si (se conseguir lembrar de si!). Essa mulher guerreira (como minha amiga bem denominou na sua conversa no grupo do WhatsApp).

Somos guerreiras simplesmente por sermos mãe! Ser mãe já basta para provarmos tudo o que precisamos nessa vida. Não estou dizendo que devemos abandonar o trabalho… E nem tão pouco julgando que não quer ser mãe. Longe disso! Ser mãe é uma escolha como tantas outras na vida.

Eu jamais conseguirei abandonar minha vida profissional por completo! O trabalho dignifica, faz bem para a alma, faz a gente perceber que somos tudo o que queremos ser… Por isso mamães, trabalhar faz bem para a alma, mas não precisamos ficar vivenciando na plenitude a Síndrome da Mãe (Mulher) Moderna!

Boa noite e bom final de semana!

Beijos.

 

Comentários (2)

  1. Lilian

    Oi Karine….
    Nossa, veio a calhar esse texto….
    “Vamos falar mais sobre isso”!!!!!!!!!!!!!!!
    Sentimentos de ambivalência entre a vida procissional e o ser mãe..
    Beijoooo

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Vamos falar muito sobre isso!
      Que bom que gostaste!
      Bjs e obrigada pelo retorno!

      Reply

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