Dificuldade na pronúncia do fonema “r”

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Olá Mamães Toda Hora, todas bem?

Hoje nossa parceira, mãe e fonoaudióloga Erica Cimadon fala sobre a dificuldade na pronúncia do fonema ‘R”.

Na verdade, aqui em casa estamos nesta fase. Brincamos com o Léo e ate chamamos ele de Cebolinha! Ele acha o máximo pois adora o desenho. O que ele não sabe é que ele troca a letra “R” pelo “L” em praticamente todas as palavras. Porém, sempre fiquei um pouco apreensiva pois não sabia ao certo o quanto isto era normal e até quando era normal.

Agora, minha dúvida está sanada e espero que muitas mães se tranquilizem (assim como eu!) depois de lerem esta coluna.

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É muito comum pais procurarem atendimento fonoaudiológico para seus filhos devido à dificuldade na pronúncia do som “r” (r fraco)- som usado nas palavras “cadeira”, “carta”, ‘prego”.  Alias, está é a queixa de fala mais comum em qualquer consultório de fonoaudiologia infantil.  Quem não conhece o famoso personagem Cebolinha, da turma da Mônica? Ele é um exemplo de desvio fonológico especifico do fonema r.

Desvio fonológico é o nome dado à desorganização no sistema de sons da criança, não tendo nenhuma relação com comprometimentos orgânicos que afetem a produção da fala. Crianças com desvio fonológico apresentam trocas ou omissões de alguns fonemas.  Os demais padrões linguagem encontram-se bem desenvolvidos.

A aquisição fonológica obedece uma ordem de aquisição, conforme o quadro a seguir:

Idade        Fonemas que devem estar adquiridos
1 ano e meio B, M
2 anos P,T, D, N
2 anos e meio K,G, nh (Manhã)
3 anos F, V, S, Z
3 anos e meio X (Xícara), J (Jacaré), R (Rato, Carro)
4 anos L, lh (Palhaço), r (carinho), S
4 anos e meio Encontro consonantal (Prato, Planta)
5 anos Aquisição completa.

 

Portanto, aos 4 anos é esperado que o fonema r (r fraco) já esteja adquirido e automatizado na fala da criança. Substituições ou omissão deste som não devem ocorrer após esta idade e podem acarretar, além de dificuldades na comunicação oral, futuros problemas de leitura e escrita. Antes desta idade também é possível encontrar casos de desvio fonológico. Uma criança de 3 anos com dificuldades na pronúncia de fonemas que já deveriam estar adquiridos deve ser avaliada e, possivelmente, terá indicação de tratamento fonoaudiológico.

A maior dificuldade na aquisição e  automatização do fonema r (r fraco) se dá por ele ser o fonema de maior complexidade articulatória, uma vez que envolve um movimento preciso da língua. Portanto, crianças com a língua com tônus muscular mais fraco tem mais dificuldade na aquisição deste som.  Lembrando que a mastigação, hábitos nocivos aos órgãos fonoarticulatórios (uso prolongado da chupeta, sucção do dedo, etc) e a respiração interferem diretamente no tônus e na mobilidade da língua e, como consequência, na fala.

Algumas considerações

– Nos casos de desvio fonológico do fonema r fraco, geralmente se observa a omissão deste som ou a substituição pelos sons do l e do i, por exemplo:

A palavra cenoura é produzida como “cenoua”, “cenoia” ou “cenoula”

– Vejo muitas crianças substituindo o r fraco pelo r forte e, por ser a “mesma letra” muitos pais acham normal. Exemplo: a palavra Laranja é produzida como “larranja” (com o r forte feito na garganta). Esse tipo de troca é um desvio da normalidade e traz impactos na escrita.

– As crianças só irão produzir o encontro consonantal (Prato, Braço, Grito…) após terem adquirido o fonema r. Não adianta insistir nessas palavras antes disso!

– Durante o período de aquisição deste fonema é comum que as crianças  produzam de forma exagerada (parrrrede – com a vibração da ponta da língua) ou parecido com a fala de um “caipira” ou o r usado no idioma inglês.

– Algumas generalizações e inversões de sílabas também são esperadas na fase de aquisição.

Exemplo de generalização: colocar o r em palavras que não tem este som: “saparto” para a palavra sapato.

Exemplo de inversão: “porfe” ao invés de profe.

Claro que cada criança se desenvolve de um jeito e vários são os fatores que interferem no desenvolvimento. Na dúvida, uma orientação fonoaudiológica irá contribuir.

Um grande abraço

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1-1-foto-277x3001-208x300Érica Cimadon é fonoaudióloga, especialista em neuropsicologia pela UFRGS, com aperfeiçoamentos em processamento auditivo. Atua com atendimentos a crianças nas áreas de linguagem e aprendizagem há 7 anos na Clínica Jeito de Ser e mamãe do Mateus, de 3 anos. “Ter um filho é muito mais que uma especialização… nos permite nos colocar no lugar das famílias que buscam ajuda para seus pequenos, tendo um olhar profissional, mas acima de tudo, mais  humano…”.

 

Comentários (7)

  1. Suelen

    Olá karine e Érica! Adorei o post, veio em boa hora!
    Meu filho tem 2 anos e 8 meses e troca vários fonemas pelo “F”, por exemplo “fopo” ao invés de “copo” e “fubir” ao invés de “subir”. Isso é normal na idade dele?
    Obrigada pelas dicas!
    Abraço
    Suelen

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Olá Suelen! Estarei pedindo a nossa parceira e fonoaudióloga Erica que lhe responda. Peço que aguarde um pouco.
      Bjs e obrigada!

      Reply
  2. Tatiana

    Olá, acabei de ler essa postagem e veio em boa hora! Meu filho acabou de fazer 5 anos e continua omitindo o R nos encontros consonantais: ” quiança” ” pesente”, estou tentando ensiná-lo a falar ” quiriança” “peresente” de forma a perceber o R. Na fala lenta ele consegue, mas se peço para falar rápido, sai sem o R novamente! Vamos procurar uma fono, mas já fiquei preocupada! Todo o resto ele fala corretamente, até os plurais! Mas esse R continua escondido!

    Reply
  3. luiz

    olá muito bom o post,muito bem explicado !!
    Gostaria de saber o que devo fazer, meu filho vai fazer 05 anos agora em abril e ainda não esta conseguindo pronunciar o r (r fraco ).Devo procurar um especialista?

    Reply
    1. Karine Callegari (Post author)

      Meu filho também… Foi indicado para fono, mas vou aguardar mais um pouco para ver se ele consegue pronunciar. Vou avisar a Erica para que ela possa responder seu questionamento. Um abraço.

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  4. Linn Zimmermann

    Lamentavelmente tenho crianças entre 6 e 7 anos que trocam a letra R pela letra L. Sou Neuropsicopedagoga e gostaria de saber o seu posicionamento quanto a esta situação.

    Grata e aguardo

    Reply
    1. Érica

      Realmente, é lamentável!!! Nesta idade esta substituição, além de poder causar problemas nas relações com os colegas (como piadas, etc.) certamente estão influenciando na aprendizagem (memória fonológica e consciência fonológica).
      Acho que seu papel como profissional da educação deve ter orientar os pais destas crianças a buscarem ajuda de um fonoaudiólogo o quanto antes.
      Espero ter ajudado!! 😉

      Érica

      Reply

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