O impacto do segundo filho – parte 1!

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Olá Mamãe Toda Hora, todas bem?

Aqui em casa estamos aprendendo a cada dia com essa nova situação. Uns dias são melhores, outros bem cansativos. Quem é mãe sabe das dificuldades que enfrentamos nos primeiros meses.

Irmão! Mesmo diante de várias brigas, cumplicidades, ajuda, irmão é sempre aquela pessoa que podemos contar. Por muitas vezes até não nos darmos bem, mas no fundo o amor prevalece, fala mais alto.

Sempre desejei ter mais que um filho pois acredito nessa parceria para a vida toda. Confesso que depois que tive o Léo, repensei esse desejo. Mas como dizem, para ter o segundo não podemos pensar muito.

Ainda quando estava grávida me preocupei com a reação do Léo frente a chegada do irmão. Li e busquei formas de introduzir esse assunto paulatinamente e tentando gerar o menos de desconforto possível.

A medida que a barriga ia crescendo, conversávamos muito e explicávamos o que era um irmão para o Léo. A cada exame, consultas o “maninho” trazia um presente para ele. Penso que essa forma foi fazendo com que ele entendesse que haveriam mais ganhos que perdas com a chegada do Pedro.

Quando cheguei na reta final, já comecei a sofrer os primeiros sintomas de rejeição do Léo para comigo. Parecia que ele sentia que não me teria mais por inteira como antes… Pelo menos não por um bom período. Confesso que a dor era imensa, ainda mais quando ele só queria o Pai para tudo e dizia que eram coisas de meninos e que eu não poderia participar.

Fui me preparando aos poucos para “perder” o amor do meu primogênito, o que ainda não está sendo fácil e parece estar intensificado a cada dia.

Na verdade ele e eu estamos tendo dificuldades em lidar com isso. Percebo a oscilação de emoções que ele sente… São ambivalentes: ora me ama, sente saudades e ora me odeia e não me quer por perto. Percebo raiva em seu olhar e procuro explicar e denominar as emoções para ele.

Mas retornando… ainda quando estávamos indo para o hospital falamos para ele que iríamos buscar o “maninho” e que de noite ele o conheceria. Ele mais que depressa perguntou se o Pedro sairia pelo mesmo “dodói” que ele saiu. Não sabia qual a resposta seria melhor para ele, porém fui sincera mesmo com medo de que ele não quisesse dividir a mãe.

Na hora da saída do Léo da escola, já me deu um aperto por estar longe e não poder estar com ele. Mas a visita do “manão” ao “maninho” foi linda demais e me surpreendeu positivamente. Meus pais estavam com medo que ele se revoltasse, mas foi justamente ao contrário.

Pensamos tanto nesse momento que decidimos que o “maninho” (como já havia fazendo) traria um presente para ele assim que chegasse. Sondamos o que ele mais desejava e assim o fizemos. Quando ele chegou, debaixo do berço do Pedro estavam o Relâmpago McQueen e o Mate como ele queria. A felicidade dele e o carinho pelo irmão se formaram naquele instante.

Por incrível que pareça, não me lembro de nenhum comportamento negativo do Léo para com o irmão até o momento. Ele está muito mais agitado, quer chamar a atenção de todos (talvez esteja elaborando suas emoções e canalizando no corpo) mas trata o Pedro com o maior carinho, diz que ama, abraça, beija, conta histórias, se exibe todo, compartilha seu dia…

Ainda no hospital, longe do Léo e acordada devido a emoção do dia, tive a estranha sensação  de me sentir dividida (talvez a primeira de muitas): Pedro no meu colo, deitado em meu peito aquecido… enquanto meu pensamento estava no Léo. Lembro de fechar os olhos e sentir o cheiro dele. Se eu pudesse, naquele momento, gostaria de estar com os dois.

No dia seguinte uma de minhas melhores amigas me perguntou se o amor era igual u se eu amava mais o Léo do que o Pedro. Pensei e respondi que não sabia, que era tudo muito novo e que depois que as coisas se ajeitassem eu responderia.

Assim que encerramos a conversa, fiquei prestando atenção nas minhas emoções, no que estava sentindo! E ara a minha surpresa me veio uma sensação de amor maior pelo Léo. Sinto até culpa de ter sentido isso e de estar revelando, porém foi o que senti realmente naquele momento.

Não tive oportunidade de retornar esse assunto com minha amiga, porem hoje tenho a resposta bem clara. Ter dois filhos é AMOR EM DOBRO! Aquilo que senti e que achei ser maior pelo Léo, na verdade tem outro nome. A diferença está na forma com que lidamos com o primeiro e com o segundo: com o Léo tinha todo o tempo do mundo, ele suspirava eu já estava indo ver e pegando ele, eu sentia muito mais medo, muito mais ansiedade, me cobrava muito. Já com o Pedro as coisas são mais leves, parece mais fácil.

Hoje preciso me dividir, e sei que não deve estar sendo fácil para o Léo ter que dormir vendo a mãe com o Pedro no colo e acordar vendo a mãe amamentando o irmão. Mas tento, dentro do possível suprir e dar todo o amor que tenho para ambos.

Bom, logo mais estarei escrevendo a segunda parte sobre o impacto do segundo filho.

Mamães que têm mais de um filho, dividam conosco suas experiências! Certamente estaremos ajudando aquelas que, assim como eu no início, estão pensando se tem ou não o segundo.

Mil beijos e bom final de semana.

 

Comentários (6)

  1. sami

    Que lindo!! Emocionante e sincero!! Amei!

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    1. Karine Callegari (Post author)

      Obrigada minha linda!
      Vamos que vamos…
      Mil bjs

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  2. Camila

    Essa sensação de estar com um filho e querer estar com outro é pra lá de dolorida. Ver o mais velho sofrendo por ter que nos dividir parece que rasga a gente por dentro. Eu sempre tento me convencer que os ganhos são maiores e que até hoje a humanidade está povoada por gente que tem irmãos. São momentos deliciados que nos exigem muito carinho e atenção às emoções de todos, inclusive as nossas tão fragilizadas por isso tudo. Até hoje, a Sofia com 6 anos reclama, verbaliza, que fico mais com o Benicio que com ela, chega a sonhar que brinco com ela, dói tanto… Nem falar na Marta que diz que o Benicio não gosta dela… Força querida! Estás no caminho! Beijo

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    1. Karine Callegari (Post author)

      Oi Minha amiga! Tão bom ler tuas palavras!
      Essa é a sensação: rasga por dentro!
      Mas nós também sobrevivemos, então força na peruca que logo logo estaremos em outra fase.
      Obrigada pela contribuição.
      Mil bjs

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  3. cristiane

    Emocionante seu relato….
    Senti a mesma coisa: eu no hospital com a Lucille nos braços pensando na Marcelle em casa com o pai…são muitas mistura de sentimentos num só coração.É difícil se dividir tanto para dar atenção para as duas. A reação da Marcelle com a maninha não poderia ter sido melhor, ela adora, é carinhosa e quer sempre estar pertinho. Comigo foi estranho a sensação, por que deixei minha pequena em casa e quando voltei tinha uma menina me esperando. As reações comigo mudaram bastante, ela ficou birrenta e manhosa e ás vezes parece que quer fujir de mim…
    E apesar da culpa que carrego comigo, estou me sentindo realizada com essas princesa!!

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    1. Karine Callegari (Post author)

      Cris!!!
      Justamente isso!!!
      É impressionante essa mescla de sentimentos e emoções, mas tudo vale muito a pena!
      Obrigada pela contribuição!
      Bjs e fiquem bem!!!

      Reply

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