Daiane, mãe de Elisa: Histórias de Mamãe!

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Sempre que imaginava algum dia ter filhos, pensava em fazer o mais natural possível. Sabia que fazer um PN (Parto Natural) tinha uma série de vantagens, desde que tivesse uma gravidez saudável e um pré natal com risco zero. E a minha vez chegou… Foi uma gravidez planejada, primeiro neto dos meus pais e segundo dos meus sogros… Todo mundo feliz!

Quando descobri a gravidez e comecei a busca de informações, internet é nossa aliada (filtrando algumas informações, é claro) e ao mesmo tempo,  precisava de um médico que estivesse de acordo com as minhas convicções. Passei por 3 médicos, um parecia mais um piadista, cheio de gracinhas, outro me disse que parto natural era super perigoso e só faria se eu mesmo quisesse muito, e um terceiro que era bem nos moldes que eu imaginava, mas totalmente fora do meu orçamento.

Nesse meio tempo, comecei a entender o que era o tal do parto humanizado, o papel de uma Doula, o respeitar de minhas vontades, as diversas maneiras de se ter um parto natural e eficaz. Lembro como se fosse hoje, quando entrei em contato com minha Doula, Bruna Balbinot, e troquei com ela as primeiras ideias e quais caminhos deveria seguir, estava bem no inicio da gestação, mas queria ter tempo de poder ter  várias possibilidades de como fazer o meu sonho acontecer, que agora já era nosso sonho, pois meu marido abraçou a causa com muito empenho, me apoiou do começo ao fim e isso foi muito importante para mim.

Foi a Bruna que me fez entender que independente do tipo de parto que você escolher, a humanização está no fato de RESPEITAR as vontades da mulher. Quero deixar bem claro que não sou contra a cesária, sou contra a cesária marcada, aquela que o principal personagem vira coadjuvante. Depois de três médicos, consegui uma consulta com meu médico Rodrigo Jacobi, que atende em Garibaldi mesmo, e qual foi a minha surpresa ao chegar lá, que tudo o que ele me falava, soava como música para mim… em todas as minhas convicções, ele também acreditava.

Passei toda minha gestação super tranquila, sempre lendo muito e buscando muitas informações. A Bruna e o Dr. Rodrigo me deixavam extremamente tranquila pela escolha feita. A previsão era entre a primeira e a segunda semana de outubro, e eu estava totalmente desencanada, mas já me sentia bem cansada… aquela fase que toda grávida já não agüenta mais. O domingo do dia 25 foi normal, com churras no sítio e uma disposição acima do normal, mas de nada eu desconfiei. A noite ainda visitamos um casal de amigos, do qual chamamos para ser dindos da Elisa e me sentia super bem.

A uma da manhã, de domingo para segunda eu acordei com alguma dores. Era uma dor chata, insistente… imaginei que pudesse ser contrações, mas achei também que logo passaria. As 3 da manhã, a dor continuava insistente, e eu mandei uma mensagem para minha doula, achando que estava passando por um falso trabalho de parto, e ela me tranquilizou que o que estava acontecendo comigo eram os pródomos, meu corpo se preparando para um trabalho de parto que estava por vir.

Tentei descansar como ela pediu, mas minhas contrações aconteciam bem seguidas, mas não ritmadas. Comecei marcar para ver se tinha alguma freqüência e nada. As dores aconteciam com intervalos de 5, 8, 7 minutos. Conversava com a Bruna constantemente via whatts, me dando forças e me mostrando que estávamos no caminho. Em nenhum momento eu pensei em desistir… era meu sonho, era o melhor para mim e para minha filha, era o que eu tinha escolhido. Mas o trabalho de parto não acontecia, e eu como marinheira de primeira viagem, a ansiedade já estava tomando conta de mim… até quando eu aguentaria?

Cada ida ao banheiro, ia perdendo um pouco do tampão mucoso, sinal que alguma coisa estava acontecendo, que não estávamos paradas no tempo. As 10hs da noite, saiu tampão com muito sangue e a Bruna veio para minha casa. Foi mais uma madrugada de frio, contrações, risadas, sono e ansiedade… Ela e meu marido foram essenciais para meu bem estar, para que as contrações fossem aliviadas e o tempo passasse… as 8 da manhã, fui ao consultório do meu médico para averiguar minha dilatação.  Estava com 5, quase  6cm. A partir daí, o restante aconteceria no hospital São Pedro de Garibaldi.

Fui internada e fiquei em um quarto do ínicio ao fim. Minha Elisa estava muito mais perto do que longe e eu me sentia feliz em estar passando por aquilo tudo. As contrações começaram a ficar mais intensas e o aumento da dilatação era cada vez maior. Por volta das 11 horas da manhã, minha bolsa ainda não havia estourado, mas eu também não sossegava… ia do chuveiro para a bola, da bola para a cadeira, caminhava, agachava ,em todo o tempo eu tinha comigo a Bruna, meu marido e meu médico. Depois de um “descanso”, quando deitei um pouco, minha bolsa estourou. A tendência agora era as contrações ficarem mais intensas… resolvi voltar ao chuveiro. Nessa hora o chuveiro foi meu inimigo, por já estar a mais de 36 horas com contrações, quase nada dormido e sem comer também quase nada, meu corpo amoleceu. Foi aí que achei que fosse desistir… não tinha mais forças para respirar, nem para me manter em pé, achei que ia desmaiar.

Mas quando você tem uma vontade, e está falando de um sonho, de uma preparação de meses, a desistência não faz parte do vocabulário. Não consigo saber de onde veio aquela força, mas até hoje quando lembro me emociono. Eu não queria desistir, e não ia desistir. Comecei a bater forte os pés no chão, numa espécie de marcha e chamava pela minha filha. “Vem Elisa!, A mãe tá te chamando!, Força Elisa!”. Me lembro também do meu marido me dando forças e da Bruna batendo palmas e “marchando”comigo.

Depois disso eu não vi mais o tempo passar, quando vi já estava com 10 cm de dilatação e meu médico falando que ela era cabeluda. Dessa fase, a frase que mais me deixou marcada é a do meu marido falando… “Amor, eu já vi ela, só mais um pouquinho e ela já vem!”.

Se foi fácil? Não foi… Mas foi do jeito que ela quis, do jeito que meu corpo sabia. Não tive nenhuma intervenção médica, meu corpo e minha filha foram protagonistas nesse evento. Logo após ela ter nascido, ela foi colocada em contato comigo e não mais nos desgrudamos. Lembro como se fosse hoje daquele cheiro maravilhoso de vida que sentia nela. Se faria tudo de novo? Com certeza que sim… Me sinto realizada, me sinto completa e feliz. As rotinas do bebê, só foram feitas mais tarde em meu quarto, também pedi para não ser dado banho na bebê e meu pedido foi respeitado.

Elisa nasceu as 14:30hs do dia 27/09, com 3,062kg e 48 cm de comprimento. Num parto de cócoras, “agarrada”numa cama, com um equipe médica maravilhosa, uma doula que hoje é como se fosse minha irmã e meu marido que até hoje diz que foi a experiência mais maravilhosa da nossa vida e só fez aumentar nossa cumplicidade como casal.

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Daiane Bernardo Peres, mãe de Elisa, formada e pós graduada em Matemática. Fui professora por 8 anos, abandonei as escolas para ser micro empresária. A loja agora está em stand by e meu atual emprego é ser mãe.

Comentários (3)

  1. Merô

    Amiga, que história linda. Você me mata de orgulho!
    Viva a boneca Elisa que está cheia de saúde e trazendo mtas alegrias!

    Felicidades

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  2. Jaqueline

    Que história linda! ! Me emocionei lendo!
    Como a vida é bela, Deus é maravilhoso!
    Eu não aguento de ansiedade esperando pelo meu Gabriel! !!!
    Desejo que ele venha naturalmente, na hora dele!

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  3. Cassiana

    Olha Daiane, que maravilha ler esse teu relato… estamos no aguardo da chegada do nosso Matteo! Ansiedade a mil, dores, mil pensamentos, medos e alegrias e fico também tão tranquila junto da Bruna… ❤️
    Parabéns pela vitória de todos vcs!
    Ficarei muito honrada em conseguir seguir teus passos (e tua marcha!)
    Saúde e muita paz a vcs!

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