Mães de Colo Vazio – Histórias de Mamãe!

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Hoje venho compartilhar um pouco da minha história de mãe! Não é uma história de final feliz, mas é sim uma trajetória de amor, na verdade de muito amor e saudades.

Em outubro de 2015 descobri que estava grávida, foi uma alegria enorme porque já estávamos planejando há dois meses. Ficamos muito felizes (eu e toda minha família)! A gravidez evoluía muito bem e, em janeiro, descobrimos que seria uma menina – nossa princesa Giovanna.

O parto estava programado para meados de junho e tudo andava conforme o esperado. Porém, com 28 semanas de gestação, começou uma coceira muito grande pelo meu corpo. Fiz muitos exames e nada era detectado. Os médicos suspeitavam de Colestase Hepática, mas o diagnóstico não se confirmava nos exames. Com 31 semanas o problema no fígado devido a gravidez foi confirmado e no dia 26 de abril de 2016 fui internada no hospital. Minha bolsa rompeu uns dias após a internação e no dia 1 de maio de 2016 nasceu nossa pequena Giovanna, mas quis o destino que ela ficasse somente 13 horas nesse mundo.

A partir da madrugada do dia 2 de maio minha vida e do meu esposo se transformou para sempre! A gente perdia nosso maior sonho, nosso maior desejo, nossa filha tão esperada, querida e amada. Ela nos deixou devido a uma infecção pulmonar muito forte e sua prematuridade.

Fomos do céu ao inferno em poucas horas, da alegria da sua chegada a dor da sua partida, uma revolta muito grande tomou conta de todo o meu ser, depois o desespero e por fim o vazio.

Esse vazio me acompanha até hoje! Eu sou uma mãe de colo vazio, mas nesses sete meses que passaram aprendi a ver a vida de outra forma. Nunca serei a mesma, nunca terei Giovanna em meus braços, mas ela sempre será minha primeira filha! Ela é parte da minha família e eu fui a mãe que Deus me permitiu ser. Não pude ninar meu bebê, mas dei a ela o melhor de mim, o meu amor mais forte, verdadeiro e sincero.

Agora volto meu olhar para vocês mamães que como eu tive uma perda gestacional ou neonatal, se eu pudesse lhe aconselhar de alguma forma, diria a vocês que são muitas, porque infelizmente milhares de mulheres têm perdas durante a gestação. Vivam seu LUTO, procurem ajuda de psicólogos, terapeutas, espiritualidade, grupos de apoio, religião o que for para ajudar, mas nunca cale, nunca esconda essa dor imensa que estão sentido, por que um dia a vida vai cobrar essa conta.

Digo mais, essa dor não passa! Ela vai te acompanhar sempre, mas ela muda de cor conforme o tempo vai passando e o inverno rigoroso vai amenizando, os dias vão clareando, até que um dia o sol volta a brilhar.

Não se cale, chore tudo que tiver que chorar, sofra, foi oferecido a você o pior que a vida pode lhe dar, se permita ser “FRACA”! Na verdade, essa é a maior ironia, porque somente os mais fortes conseguem conviver e superar essa dor, a perda de um filho é uma dor sem nome.

Não importa se você estava de 8 semanas, 36 semanas, ou seu bebê nasceu e durou pouco, na cabeça de nós mães quando se descobre que está grávida o filho já está na faculdade, se cria expectativas sonhos! O nascimento de um novo ser é vida e não morte, não estamos preparados para isso.

Tenho tentado de todas as formas me reerguer, faço acompanhamento psicológico, tomei antidepressivos por um tempo, meu marido e meus pais sempre me apoiam e entendem meus dias ruins. A vida tem me mostrado que o meu sol está nascendo novamente, me permiti e me permito sofrer e agora também estou aprendendo a sonhar novamente e ser feliz de novo.

Eu sei que minha história como mãe não acabou, e nem com a Gio. Apesar de nossos singelos olhos não poderem vê-la, tenho a certeza que ela sempre estará ao nosso lado. Amo ela com toda a força do meu coração e com a certeza que um dia voltaremos a nos encontrar.

No início do texto mencionei que essa não era uma história de final feliz, mas talvez porque não tenha chegado ao fim ainda.

Fiquem em paz. Giovanna meu amor eterno.

 

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Daiane Forti , mãe da Giovana, 34 anos, Engenheira de Alimentos e Proprietária da D’amores massas e congelados.

 

Comentários (9)

  1. claudia

    Daiane…sei muito bem o que é isso..vivi uma história assim..perdi minha bebe com 22 semanas..ja tinha a data da cessaria agendada…mas pode ter certeza sua missão como mãe não chegou ao fim…força. ..tudo vai passar…e novas alegrias virão

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  2. Natália

    Daiane querida….entendi teu sentimento em cada palavra que eu li…pq já passei por isso duas vezes. E é isso bela…o tempo é amigo, conselheiro, mestre, consolador e, se formos sábios…persistentes e fortes, vamos transformando essa dor mortal em saudade boa, pq p sempre serão nossos amores. E como amor de mãe não tem fronteiras. …um dia nos damos conta que a distância entre o céu e s terra não é tão grande qto parece. Força querida…bjos

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  3. Darcy

    Amada Dai para mim que estive ao teu lado, lendo tudo isso só me restou chorar, parabéns por conseguir externar tanta dor… Comovente e belissimo seu escrito que foi lapidado com seu coração!

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  4. Simara Luiza Troian

    Nada acontece por acaso, com certeza um novo presente em breve estará a caminho! Parabéns pela sua coragem e por não ter desistido de viver. Giovana tem uma grande mãe para se orgulhar. Bjs Simara

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    1. Karine Callegari (Post author)

      :)

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  5. Aline Costi

    Olá Daiane! Lendo seu texto, fico muito emocionada, pois minha história é muito parecida com a sua: problema no fígado e prematuridade do bebê.A dor da saudade só aumenta,mas tenho certeza do reencontro com nossos filhos amados e também digo a nossa história não acabou! Um forte abraço.

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    1. Karine Callegari (Post author)

      Parabéns pela bravura de vocês! Bjs

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  6. Magali Reis

    Dai, tu é um exemplo de coragem, de mãe, de as mor incondicional!
    Parabéns, querida! Que teu sol volte logo a brilhar, porque tu merece! <3

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    1. Karine Callegari (Post author)

      Realmente Magali! Obrigada!

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