Mãe de dois!

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Olá Mamães Toda Hora, todas bem?

Certo dia uma mãe amiga minha me disse que 1 filho é 1 e 2 são 11! Só tendo para saber tamanha diferença entre ter somente um ou mais. Meu amigo Leandro Boeira (Papai Toda Hora) sempre se referiu aos horários de pico (almoço, e ir buscar os filhos na escola) como uma gincana! Pois bem, constatei que ele também estava certo!

Hoje, num aniversário do filho de uma amiga, encontrei uma outra com seus dois filhos e conversamos sobre o sentimento que temos em relação a eles. Já havia pensado no que escrever hoje, mas nossa conversa veio mostrar que não estou sozinha no mundo.

Como sou a segunda filha, sempre escutei dos meus pais que eu era mais despachada, que ia atrás das coisas, que me virava e que eles não precisavam se preocupar tanto comigo. Hoje entendo bem o motivo disso, pois o segundo filho não consegue ter a mesma atenção que os pais dão para o primeiro. Por mais que tentamos, é impossível nos fecharmos em um mundinho e fingir que o ouro filho não precisa de nós. Sim, precisamos dividir o que antes, com o primeiro, não precisávamos!

O primeiro filho é criado com mais “frescura”, mais atenção, mais zelo… É criado como se fosse um bibelô. Pais mais inseguros, cheios de medos, neuras… Logo, as consequências aparecem com a chegada do segundo filho. No meu caso estava mais preocupada com a reação do Léo, em fazer tudo certinho para que ele não sofresse e administrasse (mesmo com três anos) suas emoções da melhor forma do que como seria a minha relação com o Pedro.

Portanto, hoje gostaria de dividir com vocês um sentimento que me assusta em alguns momentos.

Logo mais acaba minha licença e não terei o mesmo tempo que hoje consigo dedicar aos dois. Como vou fazer? Tenho vontade de me sentar no cordão da calçada e chorar! Tudo vi mudar e venho tentando preparar o Léo para isso. Na minha cabeça o Léo sente mais por entender as coisas. O Pedro, querido, ainda não consegue ter o mesmo entendimento, logo parece sofrer menos com a minha ausência.

o Léo sempre diz para mim e para o pai que não precisamos trabalhar e que ele não precisa ir para a escola. Para ele, poderíamos (deveríamos) ficar juntos sempre!

Assim, em várias situações percebo não saber que atitude tomar pois precisaria conseguir dar atenção aos dois e muitas vezes isso é quase impossível. Quando estou com o Léo me culpo por estar pouco com o Pedro. Quando estou com o Pedro, me culpo por não poder dar atenção (que antes dedicava) para o Léo. De manhã, procuro ficar mais para o Léo: brincar, chamegar, passear. De tarde ele vai para a escola e “teoricamente” tenho toda a tarde para o Pedro (o que de certa forma compensaria). Só que muitas tardes preciso resolver coisas de trabalho (mesmo de licença, preciso trabalhar no consultório) e acabo negligenciando meu tempo com o Pedro.

Quando vejo já é meio dia, logo em seguida já é final da tarde e quando dou por conta já é noite. E é durante às noites que esse sentimento piora. Vou explicar!

Meu marido tem uma certa dificuldade em fazer o Pedro dormir. Parece que o colo dele tem espinhos. Então, nos dividimos. Ele fica com o Léo e eu com o Pedro, em andares da casa diferentes. Quando subo, pai e filho já estão dormindo. Acomodo o Pedro e vou me ajeitar para dormir. Mas, muitas vezes, enquanto estou amamentando e preparando o Pedro para dormir, sinto saudades do tempo em que conseguíamos deitar os três na cama e simplesmente curtir.

Não me arrependo de ter tido o Pedro, mas como minha amiga falou hoje, parece que o segundo é mais forte (ou nós é que somos mais seguras). Parece que eles se viram melhor. Talvez porque a gente não tem a mesma disponibilidade de tempo para darmos atenção a eles, pois nos sentimos culpadas em vermos nossos primogênitos sofrendo e, indiretamente, por culpa nossa.

E tem mais…

Precisamos aprender a lidar com a rejeição! Essa machuca, dói demais. Precisamos aprender a aprender em como amenizarmos toda esse emaranhado de sentimentos e emoções.

Sim, eu sei! As vezes é impossível darmos atenção igual aos dois.

Sim, eu sei! A vida é assim e desde pequenos eles devem aprender a lidar com as frustrações.

Sim, eu sei! Quando um está dormindo e estamos com o outro dificilmente estamos inteiras! Por exemplo: quando o Pedro está dormindo procuro ficar com o Léo. Mas se ele acorda, chora, preciso deixar o Léo e acudir o Pedro. Muitas vezes, por mais que o Léo não fale nada, vejo no olhar dele o descontentamento de estar me “perdendo”! Por três anos fui exclusivamente dele!

“Esse é o problema da dor. Ela precisa ser sentida!” (A culpa é das estrelas – John Green) E quando somos mães, entendemos mais ainda isso!

Portanto, encerro essa coluna com uma frase que encontrei um dia desses e que não sei o autor, porém retrata muito bem o que é o sentimento de culpa – “A culpa não está no sentimento, mas no consentimento”.

Beijos e bom final de semana.

 

Comentários (2)

  1. Nádia Lovato

    Dificilmente consigo parar para ler os posts, mas quando o tema acerta em cheio a “dor” da gente…não tem jeito…para tudo e vamos refletir…
    Ainda assim, não posso me comparar contigo Karine, pois as minhas meninas (2) estão na fase do Pai Super Herói… esse idealizado etc
    Mas, eu imagino vc, que é mãe e mais ainda, a Mãe Super Herói dos meninos…
    Amei o post e me vejo agilizando o sono da Manu, pra correr (eu) pro quarto da Natália pra curtir antes dela adormecer… e se chegar e ela já dormiu, mesmo assim fico no quarto um pouquinho, dou vários beijos leves para não atrapalhar o sono… e assim volto pro meu quarto com o sentimento materno idealizado por mim… dar conta de duas filhotas nas necessidades fisiológicas e emocionais
    E das emoções dessa mãe, cada dia mais agradecida de ser mãe de duas!!!

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    1. Karine Callegari (Post author)

      Apesar dos dissabores, ser mãe é sensacional, ainda mais de dois ou duas… Obrigada pela contribuição Nádia! Bjs

      Reply

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