Amamentação, como me sinto?

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Olá Mamães Toda Hora!

Enquanto escrevo essa coluna, o Pedro já está dormindo e o Léo já está “baixando a bola” com o pai no quarto! Assim, consigo parar por uns minutos para fazer minhas coisas e depois capotar também!

Bom, hoje resolvi escrever sobre a amamentação. Percebo que, assim como a escolha pelo parto normal ou cesariana, existe uma certa cobrança da sociedade para que todas as mães amamentem exclusivamente no peito. Percebo um discreto olhar de reprovação quando alguém vê você amamentando com a mamadeira um bebê recém nascido ou de poucos meses.

Me lembro no primeiro mês do Léo, ficava amamentando por horas, estava definhando e muito cansada e quando eu tirava ele do peito o choro era desesperador. Me lembro como se fosse hoje o pediatra me dizendo: “é assim mesmo mamãe, livre demanda”. Não podia acreditar que aquilo era normal, ainda mais vendo meu filho perder peso consideravelmente e o médico dando a culpa para o “tal” refluxo. Era spray no nariz, chá de erva doce, litros de água, equilid, plasil, tudo para aumentar a produção de leite. Meus peitos doíam, estavam sempre sangrando  e mesmo assim eu não desistia.

Levei em benzedeiras mil vezes.  Até que um dia, resolvi procurar o plantão, pois não aguentava mais ver meu filho chorar tanto. Ele tinha 30 dias! Cheguei no hospital para fazer a triagem e o Léo chegava a ter febre de tanto chorar. Precisei colocar ele no peito para acalmá-lo enquanto aguardávamos atendimento.

Assim que a médica chamou, entrei com ele pendurado na teta, expliquei e, pela primeira vez, alguém parou para analisar minhas mamas. O Léo pegava corretamente, sugava bem, porém quando ela viu, a quantidade de leite liberada era mínima. E ela disse: “querido, ele tem fome”! Imaginem como sai de lá? Um sentimento horrível de ter deixado meu filho com fome durante 30 dias.

(Aos 18 anos fiz uma cirurgia de redução de mama e, segundo o que eu entendi, meus ductos não liberam leite suficiente. Cheguei a comprar uma maquininha elétrica para ver quanto eu conseguia tirar de leite. Ficava quase uma hora ordenhando e o que conseguia era 30 ou 40mls de leite das duas mamas, enquanto amigas minhas em 15 minutos tiravam 90, 100mls)

Bom, a partir daquele momento iniciamos a complementação e os choros acabaram. Continuei amamentando e após cada mamada eu complementava com fórmula. Mas precisava usar aqueles bicos de silicone pois a mama já estava detonada e o Léo já não conseguia sugar direito. Devido ao refluxo, e alguns desconfortos que o Léo apresentou depois disso, precisei controlar minha alimentação. Não podia comer nada com leite e derivados. Já sou chata para comer, imaginem o que eu comia.

Então, com o primeiro filho, minha experiência não foi muito gratificante. Foi sofrido e mesmo assim amamentei no peito até os 8 meses. Fiz questão! A pediatra (aquela que nos atendeu no plantão) se tornou “nossa” pediatra, e ela sempre me dizia que o mínimo que eu desse de leite materno sempre seria bom! Me dediquei para conseguir fazer isso ao máximo.

Confesso que com o primeiro filho somos mais neuróticas que o normal. Me policiava para amamentar no peito por 45min – 1h e depois o complemento.

Já com o Pedro tudo foi diferente. Sai do hospital amamentando somente no peito. As mamas já machucadas, sangrando, mas eu extremamente feliz em saber que eu estava conseguindo sustentar meu filho. Mas, como mãe de segunda viagem, com menos neuras, já sai do hospital e fui comprar um leite. Eu sabia que a história podia se repetir. E de fato se repetiu, mas muito mais amena! Quando conseguia, dava o peito, outra hora a mamadeira.

Meu peito empedrou novamente desta vez, mas não hesitei  e chamei uma amiga que trabalha com isso no hospital. (Fer, não vou esquecer da tua cara e da tua fala naquele dia) Meus peitos estavam duros, quadrados, quentes, vermelhos e doíam muito. Além disso, os bicos estavam machucados e sangrando. Ela me olhou e disse: “Não dói?” e eu respondi: “Muito”! e ela: Parabéns, muitas já teriam desistido, pois a dor que você deve estar sentindo deve ser grande. A diferença é que agora eu sabia meu limite e comecei a me respeitar em primeiro lugar. Minha amiga massageou e me orientou em como eu devia proceder para melhorar. E, em dois dias, já estava tudo certo e meus “peitos” entenderam a  quantidade certa de leite que deveriam produzir.

Entendi que de nada adiantava tomar coisas para aumentar a produção de leite se meus ductos liberavam pouco. Isso só me prejudicaria.

Muito mais confiante e relaxada, sigo amamentando (quando dá) no peito e complemento com a fórmula. Na verdade acho que é o inverso. Amamento com a fórmula e complemento com o peito.

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Está muito mais leve e com um sentimento de amor muito maior. é um momento lindo, meu e do Pedro, sem culpas, sem me importar com o que os outros estão pensando ou me falando. Ele se acalma, ele se aconchega e, desta vez, não precisei usar o bico de silicone e, mesmo assim, ele não desaprendeu a mamar no peito por causa da mamadeira. Ele suga com força, com vontade, porém quando ele percebe que não sairá mais nada ele desiste e eu não insisto. As vezes dou o peito de 15 em 15 minutos, às vezes amamento somente uma vez na manhã, uma na tarde, antes de dormir e se ele acordar de madrugada… E está tudo bem!

Portanto mamães, não se cobrem tanto, aproveitem ao máximo e tornem isso algo leve, lindo e único.

Mil beijos

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